quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Melanie Santos: a jovem alcobacense que não desiste e luta pelos seus sonhos





Tem uma voz doce. Quando a conheço, às portas das Piscinas do Jamor, confirmo que não é apenas a voz. São também os gestos, o rosto, o comportamento e os sonhos. Melanie Santos é a triatleta alcobacence, que ambiciona os Jogos Olímpicos. É Mel que a chamam. E é tão fácil de entender porquê… Recentemente, assinou contrato com o Benfica.
Tem apenas 21 anos e uma ambição bem definida: os Jogos Olímpicos. É este o sonho que a “acorda” cedo. Tem uma carga horária de treino bem definida. Os dias são passados entre piscina, corrida e ciclismo. Junta-se, este ano, o curso de Publicidade e Marketing que está a frequentar na Escola Superior de Comunicação, em Benfica. Momentos de descanso são muito poucos. Para a família, tem pouco mais do que o domingo à tarde. “Normalmente, e sempre que posso, faço uma visita à minha mãe”.
Não é apenas a mãe que Mel visita. Também Marco Clemente a recebe, mesmo em dias em que a clínica está fechada. “Tem sido fantástico. Como não consigo ir durante a semana, tenho sessões de fisioterapia ao sábado. Tem feito um trabalho sensacional na prevenção e sempre que tenho alguma lesão toma conta de mim. Antes tinha muitas dores num ombro e frequentes tendinites, agora sinto-me bem”, testemunha.
Mel nasceu na Suíça e foi lá que viveu até aos 11 anos. Portugal era sinónimo de férias de verão. A sua irmã, Iolanda, mais velha 9 anos, foi a razão da sua mudança para Portugal. “No início não queria vir, porque tinha lá os meus amigos, mas depois comecei a sentir a falta da minha irmã que estava na Universidade”. 
Aos 11 anos vem para Portugal. Fica em casa de uns tios maternos, em Amarante. “Era muito feliz ali, porque dou-me muito bem com os meus primos, que são praticamente da mesma idade”. Entretanto começa a “sentir-se a crise”. O pai, Carlos, acaba por ficar na Suíça e mãe, Ana Maria, decide vir para Alcobaça, terra do marido.
Embora sem “dar por ele”, o desporto faz parte da sua vida desde pequena. “Lembro-me de praticar natação. Para os meus pais, era uma exigência a necessidade de praticar um desporto”. Já ali, e olhando para trás, percebe que sempre foi competitiva: “Gostava de terminar em primeiro lugar e naquele momento dava sempre tudo. Queria que o meu fato de banho tivesse muitos emblemas e a minha mãe ficava muito orgulhosa em aplicá-los. 
Na escola, ainda na Suíça, tinha muitas atividades ao ar livre. Uma vez por ano, os alunos competiam entre escolas. “Corria sempre e fazia de tudo para ganhar. Uma brincadeira que levava a sério”.
Os pais cedo a ensinaram a ser independente. Na Suíça, com a sua trotineta “corria” até à fronteira, onde vivia uma amiga. “Já me conheciam e riam-se cada vez que passava”. 
Em Alcobaça, começou a frequentar o CNAL. Pela escola, participava em corta-matos. “Durante 3 anos, fui sempre a 8ª a nível nacional”. Chegou a participar em provas de estafetas com amigas, que acabaram por desistir. Quis fazer o mesmo, a adolescência começava a falar mais alto, mas a persistência da mãe mantiveram-na no ativo.
O pai de uma amiga, Mário Rocha, desafia-a a fazer treinos de bicicleta, para somar à corrida e à natação. Não esquecendo a também ajuda preciosa de Paris Silva na revelação das suas paixões. Entretanto surge uma prova de deteção de talentos em Rio Maior. Dá nas vistas e recebe o convite de dois clubes. Vai para o Alhandra.
“Corria sempre bem. O ciclismo era a minha maior dificuldade. A ajuda do Mário e do Paris foram fundamentais. Por vezes, chorava sem conseguir controlar, porque não atingia os meus objetivos”, lembra Mel.
Passado um ano, chega outro convite irrecusável. Segue para o Centro de Alto Rendimento (CAR) de Montemor-o-Velho. Só aos fins de semana vinha a casa. Ainda não sentia o “chamamento”, nem se sentia apaixonada pelo que fazia. “Perguntava-me muitas vezes se valia a pena tanto esforço e sofrimento, quando os resultados não eram especiais”. 
A sua capacidade era inquestionável, já a sua atitude deixava a desejar. Lino Barruncho, seu treinador desde que entrou para o triatlo, deixou-a pensar perante as suas frequentes indecisões: “Quando mudares a tua atitude, mudas tudo. São precisos 10 anos de treino  para atingir um bom nível”.  
Quando estava mais focada e a preparar-se para o Europeu, fez uma luxação, numa aula de Educação Física. Ausenta-se à força, durante dois meses. Começam novamente os fantasmas e, também, a adolescência a dominar os seus pensamentos. “Engordei, não me apetecia fazer nada. Os resultados não saiam. Perguntava se valia a pena tanto esforço. A minha mãe e o Lino foram o meu amuleto”.
Valia sim. Tanto valeu que um dia tudo começa a mudar, nomeadamente a sua atitude, o querer, o comportamento. 
Após o encerramento das instalações de Montemor-o-Velho, aquando da entrada de um novo presidente para a Federação de Triatlo de Portugal, muda-se para o CAR de Lisboa.
Até ao momento, já participou, em diferentes escalões, em campeonatos europeus e mundiais, bem como taças. “As WTS são as provas mais importantes e que nos levam aos Jogos Olímpicos. São provas mundiais de elite, por etapas”. 
Este ano viveu um sentimento agridoce. Por um lugar, ficou fora da competição mais apetecida para qualquer atleta. “Sem dúvida que vejo o triatlo como algo que quero na minha vida. Durante este ano (2016) trabalhei muito para ir aos Olímpicos. Esta época trabalharei ainda mais. Tudo farei para lá estar, porque é aqui que sou feliz, apesar das exigências diárias”. E recorda: “na prova decisiva para estar presente no Rio2016 acabei por desistir, não antes de dar tudo o que conseguia. Estava cansada. Estava há meio ano fora de casa, sempre a participar em provas. No final, enquanto chorava, o meu treinador abraçou-me e deu-me os parabéns. Senti uma grande gratidão…”.
É no CAR que tem uma segunda família. A maioria dos tempos livres é passada entre eles. “Vamos ao cinema, jantamos e passeamos. Todos os pequenos momentos contam”.
A independência, Mel conquistou-a cedo. Os pais sempre confiaram em si e deram-lhe as mãos nos momentos mais difíceis. Porém, foi a sua força de vontade que a fez mudar de atitude. Aconteceu no dia em que olhou para dentro de si e se questionou. Um excelente exemplo de alguém com apenas 21 anos, mas com uma maturidade e doçura acima da média.
Luci Pais

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Marco Clemente é um homem feliz, a fazer o que mais ama





Marco Clemente é inspirador, especial. Quando saímos de perto deste homem, que criou a Physioclem, somos pessoas mais ricas. Melhores seres humanos. É alguém que escuta, não se limitando a ouvir. Os seus conselhos são sábios. É um amigo da e para a vida. Cuidador é uma das palavras que melhor o definem. No dia em que completa 40 anos, partilhamos um pouco da sua vida, dos seus sonhos e da “casa” que criou.
Tem uma forma única de dizer cada frase. A maneira como olha para o que rodeia diz-nos que só está bem quando os outros também o estão. É aqui que entram os seus quatro filhos - Maria João, Diana, Rita e Manuel - e a mulher da sua vida, Vânia Clemente. Um caminho que constrói cheio de amor. Acredita que em cada ser humano, há uma resposta poderosa.
No Universo, encontra a paz que precisa e as respostas que alimentam a sua forma de estar. O trabalho, a família numerosa, não o impedem desta procura incessante. Por isso, encontra na meditação, na leitura, na simples observação do dia-a-dia pontos essenciais para prosseguir a sua viagem. “Movem-me muito aquelas quatro pessoas pequeninas”.
“Não é fácil falar sobre mim, estou muito mais habituado a escutar os outros”. Uma resposta verdadeira, sentida. Quem conhece Marco Clemente, sabe bem que é assim. “Sou cuidador, não tenho por hábito expôr-me. Gosto de ter uma postura mais humilde. No entanto, a dinâmica que se cria, acaba por nos pôr na liderança”. Um bom líder. Os textos dos fisioterapeutas e dos pacientes que fomos partilhando, ao longo deste ano, confirmam esta afirmação.
Por mais que tente, Marco jamais conseguirá esconder-se. Na sua mente, as ideias fluem com a mesma naturalidade com que fala. “Costumo dizer que sou um idiota. Tenho sempre ideias. Umas acabo por pôr em prática, outras aguardam o momento certo, mas gosto sempre de as transmitir e partilhar. São também os desafios que me movem”.
Quando entrou na universidade, em Alcoitão, o rapaz introvertido acabou por se soltar. “As ideias surgiam e tinha de as pôr em prática. Foi então que entrei para a associação de estudantes e, depois, para a Associação Portuguesa de Fisioterapia”. 
Aos poucos, a sua paixão pelos outros foi revelando-se. No final de 2012, num momento crítico para o País, Marco Clemente, em conjunto com pessoas que queriam fazer mais pela terra, criaram o Viver Alcobaça. “Tratava-se de um grito, num momento de crise. Fazer algo diferente, não deixando que apatia tomasse conta”. As primeiras atividades estavam relacionadas com a dinamização da economia local. As pessoas eram incentivadas a comprar no comércio local.
Pelo seu dinamismo, foi atribuído ao fisioterapeuta o prémio de Cidadania, pelo jornal O Alcoa.
Marco Clemente sentia que ainda podia fazer mais pela sua terra. Surge o Alcobaça Florida. Um projeto que pretendia florir não apenas varandas, janelas e ruas, como o interior de cada cidadão. “As flores são um símbolo fantástico. Acabámos por perceber que já existiam conceitos idênticos a desenvolver-se em Portugal e no mundo. Juntámo-nos. Ainda não tem o impacto que queremos, mas acreditamos que muito neste projeto que poderá envolver toda a comunidade”.
Para o fisioterapeuta, “não faz sentido estarmos em 94º no ranking dos Países mais Felizes do Mundo, de acordo com o Relatório Mundial da Felicidade de 2016”. E partilha o pensamento: “Somos dos países mais seguros, com menor criminalidade, com um clima extraordinário, paisagens inesquecíveis, gastronomia de excelência, mar e serra. Só não somos dos mais felizes, porque nos falta florir o interior”. 
Cuidar. Sempre cuidar. “Temos de aprender a dar mais valor ao que temos de melhor e reduzir o menos bom. Uma pessoa só pode florir quando se permitir a florir a si próprio”.
Ser fisioterapeuta, é algo que está no seu ADN. Lembra-se de fazer massagens ao pai. “Gostava de tratar com as mãos, mas não tinha ideia de que profissão se poderia transformar. Um dia foi ter com a psicóloga da escola, Ana Caldeira, e partilhei esta minha paixão. Foi quando ouvi falar de fisioterapia”. 
Assim, aconteceu. É fisioterapeuta. Entrou na escola que queria, na sua primeira e única opção. “É a profissão ideal para crescer enquanto pessoa. Cuidar dos outros leva-nos a dar muito de nós. Recebemos muito. Talvez, mais até do que damos”.
Marco Clemente tem um carinho especial pelos atletas que acompanha. Por vezes, quando estão do outro lado do mundo, ou mesmo perto, há uma mensagem a dar força. “É bom sentir que o que damos ajuda. Pratico mindfulness, para que estejam focados no momento”. 
Há uns anos, durante a uma formação, assistiu a um documentário que o sensibilizou. “A forma como olhamos para o mundo faz toda a diferença. No mundo, haverá sempre guerra e paz, tristeza e alegria, ódio e amor, fome e fartura… É a livre escolha e cada um faz a sua. O mundo é perfeito, porque tem tudo para todos”.
A sua escolha: “Eu prefiro o lado mais calmo, tranquilo. Toda a leitura que faço é na descoberta desse caminho”.
Família de sangue
Os filhos são as suas pedras preciosas. O maior valor da sua vida. “Fazem parte de mim, já nem sei como era a vida antes deles. Não os amo com sentimento de posse. São quatro pessoas com quem fiz um acordo de parceria, de amor, que se deixam cuidar por mim e pela Vânia”.
Vânia Clemente. Outro dos amores da sua vida. “É a minha companheira. A mulher da minha vida. Faço 40 anos. Metade da minha vida foi ao seu lado. Somos muito diferentes, mas com muitas semelhanças pelo meio. É uma mulher muito dinâmica, uma comunicadora nata. É uma excelente mãe e cuidadora”. 
Os pais, Carlos e Rosália, são outros companheiros da sua viagem. “Tenho crescido muito ao lado do meu pai. Trabalhamos juntos e damo-nos muito bem. A minha mãe, à semelhança do meu pai, está sempre por perto, ajudando no que é preciso”. 
Família Physioclem e pacientes
“O grupo de profissionais que forma a Physioclem é de excelência. São pessoas em quem posso delegar, porque há uma base de confiança sólida. Isto torna tudo mais fácil”. 
A Physioclem é um sonho tornado real, que cresceu para Leiria, Calda da Rainha, Torres Vedras e, por último, Ourém, além da sua primeira “casa” em Alcobaça.. É um projeto que tem “crescido imenso”, porque as “pessoas que o abraçam ajudam todos os dias”.
Se inicialmente, o objetivo era crescer para diferentes lugares do país, hoje Marco Clemente percebe que teria de deixar de ser fisioterapeuta para ser gestor. “Não é de todo a minha vontade. Quero passar o meu tempo a tratar. Se crescer é no sentido de cuidar de mais pessoas, dando continuidade ao trabalho que desenvolvemos e ter mais pessoas envolvidas no projeto, é isso que quero, não com o objetivo de ter mais lucro. Gostava muito de ter uma equipa de investigação”.
O avô dizia-lhe para tirar um curso, ir para a tropa e tirar por lá o doutoramento. “Mas eu não sou nada assim. Preciso de estudar. Tenho sede de conhecimento e partilhar e de aprender com os outros. Só assim faz sentido”.
O facto de ouvir e tratar pessoas levou-o a pensar mais sobre a vida. “Com isto cresceu o meu lado mais espiritual. A ciência e a espiritualidade não têm de estar separadas. O que não se sabe hoje, amanhã poderá ser provado. A ciência não pode negar o que ainda está por descobrir”. 


A história só fica completa quando juntamos as suas quatro pessoas pequeninas. Testemunhos de amor, de cumplicidade...









Diana
O amor não são as coisas grandes. 
São as milhares de coisas pequenas.
Para ti pai, um abraço de uma das tuas coisas pequenas. 


Maria João
Vejo muitas estrelas no céu, todas muito brilhantes, 
mas a melhor e mais brilhante está dentro de nós, do nosso coração. 
E tu que amas tudo o que te rodeia, brilhas mais do que ninguém. 


Marco Clemente ensina-nos a respirar fundo, a reflectir e a acreditar que o melhor dia para começar é sempre hoje. 


Luci Pais


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Sentir através de palavras




A Physioclem apresenta o passatempo “Sentir através de palavras”.

Os interessados em participar no passatempo têm de dar um título ou legenda à fotografia. 

O vencedor recebe uma sessão de fisioterapia, curativa ou preventiva, numa das clínicas da Physioclem.

A iniciativa irá decorrer entre os dias 6 e 15 de dezembro de 2016. As fisioterapeutas Ana Amado e Vânia Clemente serão as responsáveis pela escolha do vencedor. 

O vencedor será divulgado no dia 19 de dezembro de 2016, na nossa página de Facebook. Será também enviada uma mensagem ao vencedor.

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Exoneração completa do Facebook da responsabilidade por cada inscrição ou participante. 
A promoção não é de forma alguma patrocinada, aprovada, administrada ou associada ao Facebook, sendo da total responsabilidade da Physioclem.

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Obrigado, por participar!Até breve!


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

"Na Physioclem tenho aprendido ainda mais sobre os valores de amizade, amor e partilha"






Luz Ferreira dá valor a cada pormenor da vida. Talvez, a sua vida dê o livro, pela forma como a viveu e soube agradecer as bênçãos que foi recebendo. Há vidas difíceis, mas a administrativa da Physioclem, em Leiria, nunca baixou os braços. Determinação, coragem, vontade e amor são apenas algumas das palavras que a tornam especial. Um exemplo, esta “menina”, de 43 anos, que nasceu em Oliveira de Frades. O seu nome Luz faz jus à mulher que é.
Com apenas 2 anos, deixou os pais, por doença da mãe, e foi viver com uns tios, para São Pedro do Sul. Não foi este o momento mais difícil pelo qual passou. Foi aos 7 quando deixou os tios - Dina e António, que eram os pais de coração, para regressar novamente aos de sangue. São estas as palavras que dão ainda mais luminosidade aos olhos de Luz. Passados mais de 35 anos, as lágrimas ainda não se escondem.
Na mesma casa, dos tios Dina e António, vivia também a tia Maria José, com quem também passava parte do seu tempo. “Trabalhava na Casa do Povo. Ainda hoje quando sinto o cheiro a verniz me lembro dela, porque na casa de banho, daquela instituição, havia sempre muitos vernizes. Pintava uma unha de cada cor”. 
Aos 14 anos, segue sozinha para o Porto, porque queria estudar. Os pais não tinham condições financeiras. Nunca teve medo. Já tinha passado por cenários mais negros. Não queria trabalhar nas terras, nem cuidar de animais. Luz Ferreira é a segunda filha de quatro.
Foi para um centro da Opus Dei, no Porto, a conselho do padre da terra, amigo da família e seu professor de Religião e Moral e Francês. “Quando entrei, fiquei um ano a trabalhar no centro, porque o ano escolar já tinha iniciado. A maioria do trabalho era de limpeza”.
Fez o 7º ano na Opus Dei. Mudança de direção e “turbulência” em torno do que era a instituição, levam-na para outra aventura. “Para ficar, teria de me converter à Concreção. Não sentia chamamento. Queria estudar e trabalhar”.  

Luz Ferreira vai viver para a casa de uma condessa italiana. “Levantava-me, todos os dias às 5:30 horas, para deixar tudo pronto, à tarde tinha aulas e à noite a rotina repetia-se. Com parte do dinheiro que recebia pagava a escola, a outra mandava para os pais”. Até ao dia em que adormece numa das aulas, no Externato Ribadouro. Quando acorda tem o professor sentado a seu lado. A sua vida precisava de mudança. Sai de casa da condessa e vai para um colégio de freiras. Completa o 9.º ano, com 19 anos. A Matemática, e os momentos em que trabalhou, foi o seu calcanhar de Aquiles.
Aos 20 anos, compra um apartamento e passado um ano casa, com o pai do seu filho Diogo, que nasceu em 1997. “É a minha maior força, o meu amor maior”, desabafa Luz Ferreira, que na ocasião trabalhava como rececionista numa empresa de supermercados e em padarias.
Ainda no Porto, decide ir, durante três meses, tirar um curso de artesanato em cera, esculturas e velas artísticas e decorativas, em Espanha. Até 2004, foi este o seu trabalho, num dos centros comerciais portuenses, até partir para uma nova aventura. “Com os mesmos donos daquela loja, tornei-me cozinheira na Escola Profissional de Comércio Externo. Foi uma experiência marcante”. Talvez, por isso ainda sonhe em abrir uma casa típica, em Leiria, para pôr os seus petiscos e “comidinha caseira” à venda. Pelo meio, houve ainda o divórcio.
É então que vem para Leiria, para ser feliz. Assim, pensava, seguindo mais uma vez o coração. A relação acabou por não correr bem, mas não baixou os braços e mesmo quando pensou em ir-se embora os patrões pediram-lhe que ficasse. Com o filho havia sempre alguém disposto a estender os braços para ficar com ele, nos períodos em que sai mais tarde. Fez limpezas, trabalhou em supermercados. Aos fins de semana, ainda cozinhava para o plantel do União de Leiria e à noite fazia bolos e salgados para vender. 
Conhece o seu Mr. Bean, como carinhosamente chama Zé Manel. Outros dos grandes amores da sua vida e que dá sentido ao seu caminho. “É uma das maiores alegrias da minha vida”. O seu Diogo já tem 19 anos. “O grande e eterno amor da sua vida”.
Um amigo leva-a até Ana Amado, fisioterapeuta na Physioclem. O que era para ser apenas um mês, acaba por ser até hoje. Há quatro anos que trabalha para esta casa, que considera também sua. “Somos uma família bonita. Aqui tenho aprendido ainda mais sobre os valores de amizade, amor e partilha”. A amizade prolonga-se para fora de portas, ficando muitas vezes com os filhos da Ana. "Adoro crianças. Queria mais filhos, mas só veio um... Vou tomando conta destes meninos que me preenchem o coração".
Luz Ferreira não esconde a vaidade em ser administrativa da clínica: “Somos nós quem falamos a primeira vez com os pacientes, que os recebemos. A triagem psicológica é feita por nós. Escutamos as suas dores e as suas dificuldades”. Criam-se laços de amizade intensos: “depois de terminarem os tratamentos continuam a passar por cá, trazem-nos um abraço e um docinho”. 
Relembra exemplos de pessoas que “mal conseguiam falar e andar quando entraram na clínica. É uma felicidade vê-los sair pelo próprio pé”. Também aprendeu que a vida de um dia para o outro pode mudar: “seguíamos aqui um “jovem” de 34 anos, com um simples problema numa mão. Faltou a uma consulta, quando mais tarde soubemos que sentiu-se mal, caiu e acabou por morrer”. 
Tendo em conta que o espírito natalício já se faz sentir, Luz Ferreira pede um dos seus desejos para a Physioclem: “Precisamos de novas instalações, estas são demasiado pequenas para as solicitações que temos. Precisamos mesmo de crescer, não é apenas uma questão de necessidade é também de mérito”.
Com Luz Ferreira, aprendemos que a palavra desistir não faz qualquer sentido. Por vezes, podemos cair, mas o caminho faz-se caminhando…

Luci Pais