sexta-feira, 12 de maio de 2017

“Cientificamente falando” sobre postura com crianças!





Uma criança apenas deveria carregar às costas o equivalente a 10% do seu peso corporal. Infelizmente, e tendo em conta o número de manuais escolares e não só, o peso que transporta, por vezes, é o dobro. Errado!
São várias as questões que se levantam, cada vez que uma criança suporta este peso no seu frágil corpo, que ainda se encontra em formação. As alterações posturais, em especial aquelas relacionadas com a coluna vertebral, têm início na fase do crescimento e podem afetar crianças e adolescentes em fase escolar.

A Physioclem participa com frequência em atividades de sensibilização nas escolas da região. Desta vez, a convite do polo da Universidade de Coimbra em Alcobaça, no âmbito do projeto “Cientificamente falando”, estamos a percorrer as escolas do concelho de Alcobaça e de outros limítrofes, nomeadamente nomeadamente, Rio Maior, Caldas da Rainha, Alenquer. 

Recentemente, a nossa fisioterapeuta Sara Lourenço deslocou-se à EB1 de Alfeizerão e de São Martinho do Porto. “As crianças ouvem com atenção tudo o que dizemos e corrigem a postura. Querem todas pesar as malas. A sensação que trago sempre comigo é que ficam em alerta”, explica. Porém, deixa o aviso: “É importante repensar o peso que as crianças transportam diariamente, dado que não é, de todo, saudável”.

























quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Mochilas escolares: terão as crianças de suportar este peso?






“Pai, à quinta-feira mal aguento com a minha mala. Fico cheia de dores nas costas”, Ana Rita, 10 anos. “Às terças tenho de andar toda inclinada para a frente e com os ombros encolhidos”, Maria João, 13 anos. Se enquanto pai acho um exagero, enquanto profissional não tenho dúvida de que estamos a contribuir fortemente para os maus hábitos posturais que são um dos principais causadores das disfunções cervicais e lombares. São estas as principais causas de dor musculoesquelética e, consequentemente, os grandes causadores de absentismo (faltas ao trabalho) e presentismo (diminuição do rendimento no trabalho). Se as entidades responsáveis não contribuem voluntariamente para a promoção da saúde, é fundamental legislar e assim obrigar a que tenham este fator em consideração. A mala de terça-feira pesa 9,3kg e a menina 29,4kg – 31,6% do peso corporal. Se pesar 70kg, imagine-se a carregar, por exemplo, todos os dias, uma mala de 22kg!


Conheça também a:

Posição da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas relativa à Petição Contra o Peso Excessivo das Mochilas Escolares

Encontra-se a decorrer em domínio público uma “PETIÇÃO CONTRA O PESO EXCESSIVO DAS MOCHILAS ESCOLARES EM PORTUGAL”, da iniciativa de José Wallenstein.
A importância desta temática mereceu a atenção do Conselho Diretivo Nacional da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas (APFISIO), justificando a publicação da presente nota.
O que se sabe sobre a saúde das costas das crianças e jovens
- As dores nas costas custam três vezes mais que o conjunto dos custos relativos a todos os tipos de cancro (Agência de Avaliação dos Cuidados de Saúde da Suécia, relatório de 2000).
- Existe uma relação entre as queixas de dores nas costas na adolescência e problemas da coluna vertebral na idade adulta (Brattberg, 2004; Jones, Watson, Silman, Symmons, & Macfarlane, 2003).
- Num estudo 1995 verificou-se que uma percentagem importante de adolescentes de 13-14 anos que referiam dores nas costas, apresentava já lesões que se supunha surgir apenas nos adultos (Salminen, Erkintalo, Laine, & Pentti, 1995). 
- Estudos ao longo dos últimos 20 anos, no âmbito do projeto “Aventura Social e Saúde”, coordenado pela Profa. Doutrora Margarida Gaspar de Matos, confirmam que uma em cada três crianças e adolescentes portugueses refere queixas de dores nas costas, com um ligeiro predomínio nas raparigas.
- Os jovens do grupo etário dos 10-12 anos são aqueles que estão mais expostos aos fatores de risco de dores nas costas relacionados com o uso da mochila.
O que se tem feito
Mesmo antes da Direção-Geral da Saúde ter incluído a Saúde das Costas no Programa Nacional de Saúde Escolar, um grupo de investigadores portugueses que integrava fisioterapeutas, técnicos de saúde ambiental, médicos de família, médicos de saúde pública e professores de educação física, coordenado pelo fisioterapeuta Emanuel Vital, desenvolveu investigação sobre este problema que decorreu entre 2003 e 2009. Durante seis anos foram acompanhados cerca de 700 alunos obtendo-se informação sobre a saúde das suas costas ao longo do seu desenvolvimento.
Do projeto “Escola e Saúde” viria a resultar um programa de promoção da saúde “Se as minhas costas falassem…”. Durante o programa “Escola e Saúde” foram feitos cerca de 16.000 registos do peso das mochilas. No total foram pesadas cerca de 70 toneladas de mochilas! Durante o programa de promoção da saúde “Se as Minhas Costas Falassem…”, que arrancou em 2006, foram feitos cerca de 3.000 registos do peso das mochilas, com recolhas na ordem dos 13.500Kg!
Três centros de saúde e dezasseis escolas, públicas e privadas, da região centro de Portugal, estiveram envolvidas nesta iniciativa e dela beneficiaram mais de 3500 alunos. Diversos recursos comunitários, municípios, juntas de freguesia, meios de comunicação social e empresas de vários ramos associaram-se a este projeto.
Outros investigadores portugueses, designadamente os fisioterapeutas Prof. Doutor Raúl Oliveira e a Profa. Doutora Beatriz Mingelli, também têm desenvolvido trabalhos nesta área, confirmando resultados publicados um pouco por todo o mundo.
O que se ficou a saber do projeto “Escola e Saúde”
- Nove em cada dez alunos carregam, pelo menos um dia por semana, uma mochila pesando mais de 10% do peso do seu corpo!
- Os jovens de baixo peso e baixa estatura são os mais expostos a este problema. Eles carregam, pelo menos um dia por semana, uma mochila pesando mais de 17,5% do peso do seu corpo!
- A postura do tronco e o modo como os jovens transportam a mochila são os aspetos que necessitam ser melhorados
- A equipa do projeto “Escola e Saúde” determinou, pela primeira vez, recorrendo à técnica estatística de “análise de sobrevivência”, uma relação de causalidade entre peso da mochila e queixas de dores nas costas. Determinou ainda que aquela relação era proporcional ao peso da mochila, isto é, o aumento das queixas acompanha o aumento do peso da mochila. Esse achado científico, que só foi possível obter devido ao desenho do estudo, foi divulgado no 2º Congresso Nacional de Saúde Pública, na cidade do Porto, em 2010.
- O peso da mochila não deve ultrapassar os 10% do peso do corpo. Acima desse valor considera-se que o jovem se encontra exposto a problemas da coluna vertebral.
- Mas não é só o peso que conta. Os jovens que transportavam mochilas pesadas e ao mesmo tempo levavam as mochilas soltas e descaídas eram aqueles que apresentavam queixas com maior frequência.
- Além disso foi encontrado um dado muito importante sobre a condição física dos alunos: os jovens que apresentavam diferenças muito grandes entre a força dos músculos que endireitam as costas e os músculos que dobram as costas referem com maior frequência dores nas costas.
- Foi determinado ainda que a mochila pode ter um efeito protetor da saúde se o seu peso não exceder os 10% do peso do corpo.
Os Jovens são capazes de proteger as suas costas
- Os jovens que participaram no programa “Se as Minhas Costas Falassem…” referiram que passaram a saber como proteger as suas costas.
- Os resultados registados ao longo e no final do programa revelaram que os jovens mostraram ser capazes de fazer algo para proteger as suas costas.
- Os jovens que costumavam carregar a mochila com muito peso conseguiram reduzir em cerca de 2Kg o peso das suas mochilas!
- Os jovens que participaram no programa “Se as Minhas Costas Falassem…” e que costumavam transportar as mochilas mais soltas e descaídas constataram que era fácil proteger as suas costas e reduziram em mais de 15 cm o comprimento das alças das mochilas.
As Escolas também contam . . .
Um estudo desenvolvido pela fisioterapeuta Teresinha Noronha realizado em várias escolas da região centro, abrangendo mais de 2500 alunos permitiu ainda verificar que as condições das escolas também influenciam o peso das mochilas. As escolas com menos cacifos por aluno e as escolas onde não foi implementado o programa “Se as Minhas Costas Falassem…” eram aquelas em que os alunos tinham mochilas mais pesadas.
. . . os pais e os professores também
Em 2011, a fisioterapeuta Teresinha Noronha que integrava a equipa “Escola e Saúde” publicou o livro “Os Meninos das Costas Perfeitas”. Mais tarde, no Instituto Politécnico do Porto, um estudo de investigação conduzido pela mestranda Sandra Silva e pela Profa. Doutora Cristina Argel de Melo, verificou a presença de comportamentos de proteção da saúde (mochilas menos pesadas) nas crianças às quais foi lido aquele livro. Os resultados positivos ocorriam quer o livro fosse lido pelos professores, na escola, ou pelos pais, em casa.
Posição da APFISIO sobre a Petição Contra o Excesso de Peso das Mochilas Escolares
Reconhecendo a gravidade do problema da saúde das costas, a APFISIO apoia todas as iniciativas que visem proteger a saúde, reconhecendo o mérito da petição atual contra o excesso de peso das mochilas, e reconhecendo igualmente, que o poder político tem uma responsabilidade especial nesta matéria. Neste sentido insta os fisioterapeutas portugueses a apoiar essa iniciativa que pode ser acedida em http://peticaopublica.com/pview.asp...
Lisboa, fevereiro de 2017 
Conselho Diretivo Nacional da APFISIO

Bibliografia
- Vital, E., Melo, M.J., Nascimento, A.I., Roque, A. (2006). Raquialgias na Entrada da Adolescência: estudo dos factores condicionantes em alunos do 5º ano. Revista Portuguesa de Saúde Pública. Vol.24; Nº1: 57-84.
- Vital, E., Melo, M.J., Nascimento, A.I., Roque, A. (2007). A Força Muscular do Tronco e as Queixas de Raquialgias no Início da Adolescência. Revista Portuguesa de Fisioterapia no Desporto. Vol.1 Nº1: 4-11.
- Noronha, T. & Vital, E. (2008). Fisioterapia na Saúde Escolar – dos modelos às práticas. Arquivos de Fisioterapia Vol. 1 Nº4: 11-28
- Noronha, T. & Vital E. (2008). “Se as Minhas Costas Falassem”. in "Educação para a saúde no século XXI: teorias, modelos e práticas". Editor: Jorge Bonito e Universidade de Évora. (ISBN: 978-989-95539-3-4): 21-33.
- Vital E. & Noronha, T. (2008). O Efeito do Programa de Promoção da Saúde “Se as Minhas Costas Falassem” na Modificação dos Factores de Risco das Dores nas Costas – um ensaio controlado. in "Educação para a saúde no século XXI: teorias, modelos e práticas". Editor: Jorge Bonito e Universidade de Évora. (ISBN: 978-989-95539-3-4): 34-48.
- Vital, E.; Noronha, T.; Roque, A. L.; Nascimento, A. I.; Melo, M. J.; Joaquim, C.; Rosa, F.(2010). Análise de Sobrevivência Aplicada à Vigilância Epidemiológica das Raquialgias dos Adolescentes: dados preliminares da exposição à carga externa. Arquivos de Medicina (abstract). Vol. 24, Nº 5: 232.
- Noronha, T. & Vital, E. (2011).“Se as Minhas Costas Falassem” – avaliação da efectividade dois anos depois. Revista "Saúde & Tecnologia", Nº5: 12-16.
- Vital, E., Noronha, T., Roque, A. L., Melo, M. J., Nascimento, A. I., Joaquim, M. J., Rosa, F.(2011). Força de Resistência dos Músculos do Tronco em Crianças e Jovens: um contributo para validação de um instrumento de medida e estabelecimento de valores normativos. Revista Portuguesa de Fisioterapia no Desporto, Vol.5 Nº2: 14-24
- Noronha, T. & Vital E. (2012). “Se as Minhas Costas Falassem” – evidência da efectividade. in "Comportamentos de Saúde Infanto-juvenis: realidades e perspetivas". Editor: Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Viseu. (ISBN: 978-989-96715-5-3): 627-633.

- Silva, S. (2013). A influência da leitura do livro “Os Meninos das Costas Perfeitas”, na adoção de comportamentos saudáveis, relacionados com a mochila escolar. Tese de Mestrado. Orientadoras: Melo, C.A.; Noronha, T.M. Editor: Instituto Politécnico do Porto. Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto (identificador: http://hdl.handle.net/10400.22/1917).

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A importância da Fisioterapia na abordagem pós cirúrgica de Cancro de mama






Nos últimos anos, têm sido realizados importantes avanços na deteção precoce e no tratamento do cancro da mama. No entanto, em relação aos casos diagnosticados anualmente, os tratamentos primários para esta doença (cirurgia, radioterapia e quimioterapia) continuam a causar uma taxa de morbilidade significativa em cerca de três milhões de mulheres e homens em todo o mundo. 
Além do impacto psicossocial profundo, associado a um diagnóstico de cancro da mama, podem ainda ocorrer uma série de problemas/complicações físicas na sequência dos tratamentos realizados para salvar ou prolongar a vida das pessoas afetadas. Estes incluem alterações da mobilidade e força do membro superior homolateral, linfedema da mama e/ou membro superior homolateral, dor, fadiga, neuropatia periférica induzida pela quimioterapia, cardiotoxicidade, redução dos níveis de atividade física e da qualidade de vida do utente (Harris et al, 2012).
Tendo em vista não só a recuperação do cancro, mas também a reabilitação global no âmbito físico, a fisioterapia desempenha um papel fundamental nesta nova etapa da vida da mulher operada. Apresenta um conjunto de possibilidades terapêuticas físicas passíveis de intervir desde a mais precoce recuperação funcional até à profilaxia das sequelas. Ajuda a diminuir o tempo de recuperação, permitindo um retorno mais rápido às atividades quotidianas, ocupacionais e desportivas, colaborando na reintegração à sociedade. De igual modo, permite restabelecer a amplitude de movimentos afetados, força muscular, melhoria da postura, coordenação, auto-estima e, principalmente, minimizar as possíveis complicações pós-operatórias que possam ocorrer, aumentando a qualidade de vida (Silva et al, 2004 cit in Jammal et al, 2008).

Reabilitação do Membro Superior
A fisioterapia pós-operatória deve começar no primeiro dia após a cirurgia ou logo que possível com o objetivo de gradualmente restabelecer a amplitude de movimento e a força muscular do membro superior e cintura escapular homolateral, prevenir aderências e restabelecer a mobilidade da pele e tecidos. Para tal, segundo Harris et al (2012),
- Após a 1ª semana de pós-operatório ou quando o dreno é removido a mulher deve iniciar um plano específico de exercícios ativos;
- Assim que sejam retirados os pontos e haja boa cicatrização iniciar o tratamento da cicatriz e tecidos moles envolventes. As mulheres devem ser instruídas acerca da massagem do tecido cicatricial;
- Dentro de 4 a 6 semanas pós cirurgia deve-se iniciar fortalecimento muscular com cargas leves (0,5Kg);
- Ensino sobre cuidados a ter relativamente a questões de higiene, evitar traumatismos e infeções, vacinações e perfusões no membro afetado; 
- Modalidades de Eletroterapia (como por exemplo tratamento com laser, estimulação elétrica, micro-ondas, ultra-som e termoterapia) não são recomendadas neste momento devido a insuficiência de evidência científica para apoiar a sua utilização, Existem mesmo várias publicações com precauções e contra-indicações para o seu uso em pessoas com neoplasias.
No entanto, o ganho de amplitude e força muscular deve respeitar todas as indicações médicas em caso de reconstrução mamária no momento da cirurgia.

Tratamento de linfedema
Após cirurgia e/ou radiação de cadeias linfáticas regionais, a pessoa pode apresentar, entre outras complicações, linfedema de membros superiores. O linfedema é definido como a acumulação excessiva e persistente de fluido, rico em proteínas, no espaço intersticial, devido à ineficiência do sistema linfático, como consequência da remoção de gânglios linfáticos axilares ou pela radiação (Leal et al, 2009). No caso do cancro da mama, o linfedema ocorre no membro superior do lado onde ocorreu cirurgia. 
A sua incidência depende de diferentes variáveis, incluindo a extensão da cirurgia axilar, presença de obesidade, recorrência de cancro em linfonodos axilares e radioterapia. Pode ocorrer quase que subsequentemente ao tratamento cirúrgico, durante a radioterapia ou muitos meses ou anos após a conclusão do tratamento (Leal et al, 2009).
Os sinais e sintomas associados ao linfedema são o aumento do diâmetro dos membros, tensionamento da pele com risco de quebra e infeção, rigidez e diminuição da amplitude de movimento das articulações dos membros afetados, distúrbios sensoriais na mão e uso reduzido do membro para tarefas funcionais. Consequentemente, este quadro pode resultar em deformidades estéticas, diminuição da capacidade funcional, desconforto físico, episódios de erisipela e alterações psicológicas.
De acordo com alguns estudos, uma vez instalado, o linfedema pode ser controlado mas não totalmente curado. Os resultados mais satisfatórios são obtidos quando o tratamento é iniciado logo que aparecem os primeiros sinais, porque ainda não existe fibrose nessa fase e os tecidos estão mais elásticos e funcionais. 
O seu tratamento pode ser conservador (técnicas não cirúrgicas) ou cirúrgico. Independentemente da abordagem de tratamento referida, de acordo com a Sociedade Internacional de Linfologia (2013 Consensus Document), o cuidado e higiene meticulosa da pele (limpeza, cremes com pH baixo, emolientes) é de extrema importância para o sucesso de praticamente todas as abordagens/técnicas terapêuticas.
Segundo a literatura, a fisioterapia desempenha um papel importante no tratamento e controlo do linfedema através de várias técnicas, como por exemplo:

- Drenagem linfática manual (DLM)
A DLM compreende um conjunto de técnicas manuais aplicadas com uma pressão leve, lenta e rítmica que seguem o sentido da drenagem fisiológica, visando limpar os vasos linfáticos e melhorar a absorção e o transporte de líquidos. Os efeitos desta técnica incluem a dilatação dos canais de tecido, favorecendo a formação de novas anastomoses linfáticas, estimulando os vasos linfáticos e o aumento do fluxo filtrado (Leal et al, 2009).

- Pressoterapia
Consiste numa manga pneumática com vários compartimentos, que exerce pressão sobre os tecidos através do enchimento de cada compartimento com ar. A manga enche e esvazia sequencial e ciclicamente durante um determinado tempo, de forma a causar um efeito de “massagem peristáltica” sobre o membro afetado. Segundo alguns estudos, em situações de linfedema pós cirurgia de cancro da mama, associado a remoção de gânglios linfáticos e/ou radioterapia, a pressoterapia apenas deve ser realizada após a DLM, pois esta vai estimular o fluxo linfático (International Consensus, 2006). 

- Bandas multicamadas 
As bandas multicamadas correspondem ao uso de ligaduras não elásticas que têm baixa extensibilidade e que produzem alta pressão de trabalho e menor pressão de repouso, ou seja, criam picos de pressões que produzem um efeito de massagem estimulando o fluxo linfático e promovendo o aumento da pressão intersticial e aumento da eficácia do “bombeamento” muscular e articular (Leal et al, 2009) (International Consensus, 2006).

- Compressão elástica (manga elástica)
A utilização de uma manga elástica pode ser necessária com o objetivo de controlo do lindefema a longo prazo após período de fisioterapia intensa. A sua utilização pode ser apenas para realização de exercício físico, viagens longas de carro, comboio ou avião; só algumas horas; durante todo o dia ou 24h consoante a situação e fase (International Consensus, 2006), (Leduc, 2008), (2013 Consensus Document).

- Exercício
No caso do linfedema, o exercício de resistência mínima estimula as “bombas musculares” e aumenta o fluxo linfático; o exercício aeróbico aumenta a pressão intra-abdominal, que facilita o bombeamento do ducto torácico. Segundo International Consensus (2006), as pessoas devem ser encorajadas a incluir um aquecimento e arrefecimento adequado como parte do exercício para evitar a exacerbação do inchaço. A compressão deve ser usada durante o exercício, iniciando com exercício de intensidade baixa a moderada. São recomendadas caminhadas, natação, ciclismo e aeróbica de baixo impacto, como também exercícios de flexibilidade para manter a amplitude de movimento. Por outro lado, o levantamento pesos elevados e o movimento repetitivo devem ser evitados.
De acordo com Leduc (2008), também devem estar presentes exercícios para mobilidade da região cervical e escapulo-torárica, exercícios respiratórios, exercícios de relaxamento e alongamento do sistema neural.

- Outras técnicas
Alguns estudos recentes estão a ser feitos com a utilização de terapia laser, estimulação elétrica de alta voltagem, oxigenoterapia hiperbárica com resultados na redução do volume do membro afetado a curto prazo. No entanto, são necessárias mais pesquisas para verificar os seus benefícios a longo prazo (International Consensus, 2006).
Segundo  Leal et al (2009), uma dieta com base em triglicerídeos de cadeia média (MCT) é considerada benéfica para reduzir o linfedema, uma vez que os MCT são diretamente absorvidos pela corrente sanguínea e não sobrecarregam o sistema linfático, ao contrário dos triglicerídeos de cadeia longa. Também é aconselhado um controlo do peso corporal, mantendo o índice de massa corporal (IMC) inferior a 25 (Leduc, 2008).

Segundo a Sociedade Internacional de Linfologia (2013 Consensus Document) o tratamento do linfedema está dividido em duas fase. A primeira fase (fase intensiva – com o objetivo de alcançar a redução máxima do volume do membro com melhoria estética e funcional) consiste nos cuidados da pele, DLM, plano de exercícios de mobilidade e compressão com bandas multicamadas. A segunda fase (fase de manutenção) visa conservar e optimizar os resultados obtidos na primeira fase mantendo os cuidados com a pele, a compressão através de manga elástica de baixo estiramento, auto-massagem leve e/ou DLM e continuação de exercício físico (Leal et al, 2009), (2013 Consensus Document).
Com base em revisão bibliográfica, pode-se concluir que, das várias técnicas referidas quando aplicadas isoladamente são insuficientes para reduzir o linfedema. No entanto, quando combinadas, produzem efeitos mais benéficos. Dependendo da fisiopatologia do linfedema, o fisioterapeuta deve selecionar a melhor combinação, com base numa avaliação detalhada de cada caso e a fase em que se encontra (Leal et al, 2009), a periodicidade e duração do tratamento.
Em casos em que o tratamento conservador não apresenta qualquer tipo de resultados positivos pode existir indicação médica para tratamento cirúrgico (através de redução/ressecção cirúrgica, lipoaspiração, entre outros procedimentos). De igual modo, nestes casos a fisioterapia continua a ser necessária pós o procedimento cirúrgico para manter a redução do edema e garantir a desobstrução vascular (2013 Consensus Document), (International Consensus, 2006).

Tratamento da dor relacionada com o cancro
Há muitas razões pelas quais um paciente com cancro da mama pode sentir dor. Identificar a causa e compreender a sua fisiopatologia é importante para um tratamento mais efetivo. A natureza e a gravidade da dor devem ser cuidadosamente avaliadas tendo em conta a história clínica e fatores físicos, psicossociais e emocionais. 
Para além do controlo da dor através de medicação prescrita pelos médicos responsáveis, a fisioterapia também pode ajudar no seu controlo.
Segundo Harris et al (2012), o desenvolvimento de um plano de controlo da dor eficaz inclui a educação e o envolvimento do paciente e família, que devem receber informações sobre as várias opções de intervenção no controlo da dor (farmacológica e não farmacológica). Intervenções educativas breves e diários de gestão da dor são estratégias úteis que melhoram a adesão ao tratamento e reduzem a intensidade da dor.

Tratamento da fadiga
A fadiga pode surgir como efeito dos tratamentos de radioterapia ou quimioterapia a que a pessoa pode ser submetida após cirurgia a cancro da mama. Por estes motivos, a utente deve ser incentivada a realizar um plano de condição física durante e após o tratamento. Harris et al (2012) e Leduc (2008) recomendam a realização de um plano de 30 minutos que combine atividades aeróbias (por exemplo: caminhar, andar de bicicleta) e resistência cardiovascular, 2 a 3 vezes por semana. 
O plano deve ser individualizado com base na idade, género, tipo de cancro e aptidão física da pessoa, devendo começar com um baixo nível de intensidade e duração e progredindo lentamente.

Bibliografia

Harris, S.; Schmitz, K.; Campbell, K.; McNeely, M. (2012) – Clinical Pratice Guidelines for Breast Cancer Rehabilitation – Syntheses of Guideline Recommendations and Qualitative Appraisals – Cancer, 2312-2324

International Consensus (2006) – Best Pratice for the Management of Lymphoedema – MEP LTD, London

Jammal, M.; Machado, A.; Rodrigues, L. (2008) – Fisioterapia na reabilitação de mulheres operadas por câncer da mama -  O Mundo da Saúde São Paulo 32(4), 506-510

Leal, N.; Carrara, H.; Vieira, K.; Ferreira, C. (2009) – Physiotherapy Treatments for Breast Cancer-related Lymphedema: a Literature review – Ver. Latino-am. Enfermagem, Setembro-Outubro; 17(5); 730-736

Leduc, O. (2008) – Europeaan Consensus – Rehabilitation after Breast Cancer Treatment – The European Journal of Lymphology and Related Problems; Vol.19 Nº55; 13-20

The Diagnosis and Treatment of Peripheral Lymphedema: 2013 Consensus Document of the International Society of Lymphology – Journal Lymphology 46; 1-11

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A Nossa Opinião - Fratura de Colles





"O meu filho fez uma fratura de Colles e usou gesso durante quatro semanas. Precisa de fazer fisioterapia?"

Em todo o tipo de fraturas, não só neste caso específico de fraturas de antebraço/punho, a imobilização com gesso provoca um série de alterações.


Em norma, o processo de consolidação óssea ocorre no período da imobilização. Todas as estruturas circundantes estarão alteradas. Durante o período de imobilização, as articulações do ombro, cotovelo e punho vão ter uma mobilidade muito reduzida ou mesmo nula, o que provocará uma diminuição da força e volume muscular, tensão nos ligamentos e diminuição da mobilidade das articulações.

Deste modo, a fisioterapia tem um papel muito importante na fase inicial pós-imobilizacao para melhorar a mobilidade das articulações e corrigir a tensão ligamentar e muscular. Contudo, o principal papel passa por orientar o paciente, incluindo fornecer exercícios e alongamentos a realizar em casa. Com este trabalho a evolução torna-se mais rápida e o risco de compensações e lesões associadas diminui. 



domingo, 19 de fevereiro de 2017

Luís nascimento, o "Mãos mágicas"











O nosso fisioterapeuta Luís Nascimento num trabalho para a Revista R, do jornal Record, este domingo, dia 19 de fevereiro de 2017, pelo jornalista Joaquim Paulo.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A Nossa Opinião - Dores na cervical e nos ombros





“Sou empregada de escritório e tenho constantemente dores a nível da cervical e nos ombros. Podem estar relacionadas com a minha postura?”

Tanto a dor cervical, como a dor no ombro podem estar associadas a vários fatores. As posturas que adoptamos no dia a dia, sobretudo se forem mantidas como no caso de um trabalho de escritório, podem estar na sua origem. Ao adotarmos uma posição incorreta, vezes sem conta, podemos originar encurtamento de determinados músculos e alongamento e diminuição da capacidade de contração dos músculos contrários. Estes desequilíbrios musculares e/ou a laxidão ligamentar podem provocar alterações do alinhamento postural da cabeça, cervical e ombro, uma vez que são fatores fundamentais para manter as articulações estáveis.
Podemos evitar o aparecimento de dor se adotarmos algumas estratégias no local de trabalho, devem fazer-se pausas para alongar e movimentar. Devemos adaptar o material e a sua posição (computador, secretaria, cadeira...). Além disso, praticar de exercício físico, uma alimentação equilibrada, beber muita água, descansar e procurar atividades que ajudem a aliviar o stress e promovam o bem-estar são fundamentais.

Faça-nos chegar as suas dúvidas ou perguntas através das mensagens ou do email luci.pais@physioclem.pt.




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Dores de Cabeça: qual a origem?




"Tenho dor de cabeça com muita frequência, o que me leva a recorrer a medicação todas as semanas. Pode ter origem no meu problema cervical?"

Sim, pode. A dor de cabeça, com origem em problemas da coluna cervical, posturais e/ou por excesso de tensão muscular, é muito frequente. Representa mais de 50% dos casos de dor de cabeça. É tão frequente que cerca de 1 em cada 5 pessoas sofre deste problema. 
É muito importante ter a certeza de que se trata de uma dor de cabeça relacionada com a tensão e/ou coluna cervical, distinguindo-a de uma enxaqueca ou de dor por outras causas orgânicas. Para ter a confirmação, poderá consultar o seu médico ou fazer a associação lógica de causa e efeito. Se a dor aumentar com determinadas posturas, gestos repetidos, com o decorrer do dia, se estiver associada ao stress, e se aliviar com o movimento, com uma leve massagem e com o alongamento, então poderá ser mesmo por razões músculo-esqueléticas.
Se for este o caso, é muito importante procurar ajuda de um fisioterapeuta para libertar as tensões miofasciais e reeducar a sua postura. Esse trabalho é feito com técnicas de terapia manual e é habitualmente muito eficaz, reduzindo significativamente a frequência e intensidade da dor.
Se por outro lado, a dor estiver associada a um traumatismo ou a sintomas como enjoo, tonturas, febre, alterações da sensibilidade, da acuidade visual, desmaios, falta de coordenação e/ou outros sintomas, consulte o seu médico.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Fisioterapia nas Disfunções Temporomandibulares? Com que evidência de efetividade?




A Disfunção Temporomandibular (DTM) representa um conjunto de condições clínicas que envolve problemas nas articulações da boca (articulações temporomandibulares - ATM), músculos mastigatórios e das estruturas associadas a este complexo articular. Esta condição clínica constitui um importante problema de saúde pública, uma vez que afeta cerca de uma em cada cinco pessoas. É a condição clinica músculo-esquelética mais frequente, a seguir à dor lombar. Apenas metade dos pacientes com DTM procura tratamento e, aproximadamente, 15% acaba por ficar com esta patologia de forma Crónica. Está, frequentemente, associada a outras condições clínicas ao nível do crânio e cervical, como as cefaleias de tensão (dor de cabeça por tensão muscular), cefaleias cervicogénicas (dor de cabeça por perturbação da coluna cervical), patologias do sistema auditivo, patologias musculoesqueléticas ao nível da cervical, alterações posturais, entre outras.

As disfunções deste complexo articular apresentam vários sinais e sintomas, destacando-se as dores orofaciais, restrições mecânicas do movimento (limitação da amplitude articular da mandíbula ou de abertura e desvios laterais da boca), ruídos articulares, cefaleias, cervicalgias (dor na coluna cervical) e rigidez no pescoço.
Normalmente, o diagnóstico desta condição é baseado na presença de um ou mais sinais e sintomas. Em circunstâncias crónicas (DTM’s com mais de seis meses de evolução), esta condição clínica interfere com o bem-estar geral do indivíduo, com a qualidade do sono e o estado emocional.

Trata-se de uma disfunção de origem multifatorial e como tal a intervenção mais recomendada é a multidisciplinar, envolvendo vários profissionais de saúde. A fisioterapia é, habitualmente, considerada como essencial, estando incluída nas disciplinas mais frequentemente envolvidas. No entanto, apenas uma pequena parte dos pacientes recorre a esta intervenção.

Dada a multiplicidade de abordagens terapêuticas que existe na área da fisioterapia, existe alguma dificuldade em distinguir a sua eficácia nestas disfunções. A evidência sobre o efeito das modalidades electro-fisicas (ultra-som, microondas, laser, TENS, correntes interferenciais) tem sido muito questionada, já os exercícios terapêuticos, a terapia manual e o ensino têm sido apontados como intervenções efetivas. Os poucos estudos randomizados controlados de qualidade que estudam a efetividade da fisioterapia na DTM indicam que esta poderá ser uma intervenção eficaz e com boa relação custo-eficácia. Em 2013, num levantamento sobre a perceção da efetividade da fisioterapia entre os médicos dentistas e cirurgiões maxilofaciais em Inglaterra verificou-se que 72% dos médicos consideraram a fisioterapia como efetiva.

No ano de 2006, foram publicadas duas revisões sistemáticas (dos vários estudos randomizados e controlados publicados até então) que realçaram os efeitos positivos da fisioterapia multimodal (combinação de várias técnicas) no tratamento da DTM. Porém, a maioria dos estudos, incluídos nas revisões, foi de muito baixa qualidade metodológica.
Recentemente, foram publicadas mais três revisões sistemáticas sobre a efetividade da fisioterapia na DTM. Estas apontam para a existência de evidência de eficácia da terapia manual do exercício terapêutico no tratamento da DTM, embora, segundo os autores, a heterogeneidade dos protocolos de estudo contribua para diminuir a qualidade da evidência, mantendo ainda a incerteza na perspetiva científica.

A Academia Americana de Dor Orofacial recomenda a fisioterapia no tratamento da DTM. Da nossa experiência clínica não temos qualquer dúvida de que a fisioterapia é efetivamente uma abordagem eficaz no tratamento destas situações, preferencialmente combinada com a intervenção de vários outros profissionais, entre eles o médico dentista, o ortodontista, o psicólogo e, por vezes, o cirurgião maxilo-facial, psiquiatra, terapeuta da fala e/ou ortoprotésico.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Physioclem lança serviço inovador de excelência





A Physioclem, sempre focada em aumentar a qualidade e a eficácia dos tratamentos, aposta numa inovadora e avançada técnica para o tratamento de inúmeras lesões musculoesqueléticas, a Eléctrolise Percutânea Musculoesquelética Ecoguiada.

O que é a Eléctrolise Percutânea Musculoesquelética Ecoguiada (EPM)?
A EPM é uma técnica de Fisioterapia Invasiva, que consiste na aplicação ecoguiada de uma corrente galvánica, através de uma agulha de acupuntura, produzindo um efeito analgésico e um processo inflamatório local. Permitindo, desta forma, a fagocitose e a reparação do tecido afetado. 

Por que razão se realiza esta técnica de forma ecoguiada?
Dado que permite realizar uma abordagem precisa e segura, obtendo uma aplicação da técnica mais eficaz. Através do recurso a um Ecografo é possível visualizar os tecidos, de modo a verificar qual o local exato onde se encontra a lesão.

Que lesões podemos tratar com esta técnica?
• Lesões Musculares (Roturas Agudas e/ou crónicas);
• Ombro Doloroso (Lesões do tendão da coifa dos rotadores);
• Tendinopatías do tendão Rotuliano e Aquiles;
• Lesões do Cotovelo (Epicondilite e Epitroclite);
• Lesões dos Ligamentos ( Entorses do Joelho e Tornozelo);
• Fascites Plantares;
• Neuropatías compresivas (túnel do carpo por compressão do nervo mediano ou ciáticas por compressão do nervo ciático)
• Lesões da Coluna vertebral (Hérnia discal lombar);

• Periostite Tibial.