terça-feira, 17 de outubro de 2017

Atleta e treinadora de papel recomenda tratamento com EPI





"São impressionantes os resultado do tratamento com Eletrólise Percutânea Intratisular (EPI). Como jogo Padel de alta competição e dou bastantes aulas, submeto o cotovelo a excessos de carga. Nos últimos dois anos, as dores aumentaram de tal ordem que me afastaram, durante seis meses, do campo. Após as primeiras sessões de tratamento, na Physioclem, senti a diferença. Regressou a confiança e conforto para pegar na raquete e voltar ao meu desporto, ao meu trabalho. Atualmente, mantenho o plano de exercícios indicados pelos fisioterapeutas e tenho conseguido manter os meus níveis de atividade”, testemunha a atleta Susana Dias.

Focada em aumentar a qualidade e a eficácia dos tratamentos, a Physioclem aposta na utilização da Eletrólise Percutânea Intratisular. Trata-se de uma técnica invasiva que, a partir de uma corrente galvânica, tem a capacidade de regenerar os tecidos inflamados/fibrosados. O seu princípio consiste em reiniciar o processo inflamatório para que, combinado com os estímulos externos e internos corretos sobre os tecidos lesados, este possa induzir uma correta cicatrização. Trata-se de uma técnica ecoguiada e realiza-se com a introdução de uma pequena agulha de acupuntura no local lesado, devidamente identificado, fazendo pequenas descargas elétricas.

Quais as lesões que podemos tratar com esta técnica?
  • Lesões musculares (roturas agudas e/ou crónicas);
  • Ombro doloroso (lesões do tendão da coifa dos rotadores);
  • Tendinopatías do tendão rotuliano e aquiles;
  • Lesões do cotovelo (epicondilite e epitroclite);
  • Lesões dos Ligamentos (entorses do joelho e tornozelo);
  • Fascites plantares;
  • Neuropatías compresivas (túnel do carpo por compressão do nervo mediano ou ciáticas por compressão do nervo ciático)
  • Lesões da coluna vertebral (hérnia discal lombar);
  • Periostite tibial.

O sucesso do tratamento depende, também, de uma análise cuidada da biomecânica corporal, bem como da prescrição correta de exercícios. Alguma dúvida sobre este tratamento, contacte o seu fisioterapeuta.



terça-feira, 5 de setembro de 2017

Ginástica Abdominal Hipopressiva: treino da musculatura postural e coordenação respiratória



Além das aulas de Pilates Clínico e de SGA (Stretching Global Ativo), a Physioclem convida-o ainda experimentar a Ginástica Abdominal Hipopressiva, acompanhada pela professora Joana Neto. As aulas de grupo decorrem na Rua Miguel Torga, em Leiria. As inscrições estão abertas*!


O QUE É A GINÁSTICA ABDOMINAL HIPOPRESSIVA?
É um sistema de treino direcionado para o treino da musculatura postural e coordenação respiratória, que, também ele, mantém o foco nos músculos da parede abdominal e do pavimento pélvico, sem aumentar a pressão intra-abdominal.
Deste modo, a sua especificidade de treino baseia-se num ritmo respiratório controlado, combinado com posturas de contração isométrica e intervalos de apneia respiratória, conduzindo à melhoria do tónus muscular, relaxamento e correção postural.

EM QUE CONDIÇÕES?
-Disfunções do pavimento pélvico: como a Incontinência urinária e o Prolapso dos órgãos pélvicos;
- Dor lombar;
- Perímetro abdominal e diástase abdominal exacerbados;
- Insuficiência venosa;
- Flacidez abdominal;
- Desregulação do trânsito intestinal.

QUAIS OS SEUS BENEFÍCIOS?
- Redução do perímetro abdominal;
- Melhoria do alinhamento corporal;
- Recuperação da diástase abdominal;
- Fortalecimento dos músculos abdominais e do pavimento pélvico;
- Melhoria da circulação sanguínea;
- Melhoria da capacidade respiratória;
- Melhoria da condição física;
- Melhoria da regulação do trânsito intestinal;
- Melhoria da função sexual.


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Fisioterapeuta Joana Neto - CV
Licenciada em Fisioterapia pela Escola Superior de Saúde de Leiria (2016)
Formação em Pilates Clínico Matwork MW1 e MW3 com certificação APPI, pela Bwizer (2016)
Formação em Terapias Miofasciais, pela Bwizer (2016)
Formação em Ginástica Abdominal Hipopressiva pela Low Pressure Fitness (2016)
Formação em Stretching Global Ativo: RPG aplicado ao Desporto, pela Bwizer (2017)
Formação no método de Introdução ao Conceito de Bobath em Pediatria pela Formaterapia (2017)

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*Informações e inscrições sobre as aulas
As aulas decorrem na Rua Miguel Torna, lote 35, loja 33, em Leiria.
Mais informações e inscrições através do número 244 109 427 ou do email ana.amado@physioclem.pt



Saiba tudo o que o Pilates Clínico pode fazer por si




Na Rua Miguel Torga, em Leiria, a Fisioterapeuta Joana Neto* está também à sua espera para as aulas de Pilates Clínico, que reeducam, fortalecem e relaxam o seu corpo. Deixe-nos olhar pelas suas costas!

O QUE É O PILATES CLÍNICO?
Define-se como um método de controlo muscular, tendo como principal foco a manutenção e fortalecimento da musculatura estabilizadora da coluna, aliando-se a componentes de concentração, correção postural e coordenação respiratória, através de movimentos precisos e fluídos, permitindo o trabalho conjunto do corpo e da mente.
Pode ser realizado no solo, em equipamentos específicos ou com utensílios próprios, de modo a personalizar-se a intervenção adequada à condição do indivíduo e à sua progressão.

A QUEM SE DESTINA?
A indivíduos com ou sem disfunção, com alterações posturais, diminuição de flexibilidade e com dor de coluna, que pretendam reeducar, fortalecer e relaxar o seu corpo.

QUAIS OS SEUS BENEFÍCIOS?
- Correção postural Global;
- Diminuição de dor e desconforto;
- Aumento a flexibilidade através do alongamento global;
- Fortalecimento da musculatura profunda e superficial;
- Promoção da relação entre o corpo e mente;
- Promoção do processo de recuperação;
- Otimização da eficiência dos padrões de movimento, reduzindo o risco de lesões;
- Alívio de stress e melhoria de auto estima.

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Fisioterapeuta Joana Neto - CV
Licenciada em Fisioterapia pela Escola Superior de Saúde de Leiria (2016)
Formação em Pilates Clínico Matwork MW1 e MW3 com certificação APPI, pela Bwizer (2016)
Formação em Terapias Miofasciais, pela Bwizer (2016)
Formação em Ginástica Abdominal Hipopressiva pela Low Pressure Fitness (2016)
Formação em Stretching Global Ativo: RPG aplicado ao Desporto, pela Bwizer (2017)
Formação no método de Introdução ao Conceito de Bobath em Pediatria pela Formaterapia (2017)

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*Informações e inscrições sobre as aulas
As aulas decorrem na Rua Miguel Torna, lote 35, loja 33, em Leiria.
Mais informações e inscrições através do número 244 109 427 ou do email ana.amado@physioclem.pt



Previna lesões e melhore a flexibilidade com Stretching Global Ativo




Na Physioclem, também encontra aulas de SGA, para que a sua postura seja a mais correta. Conheça os benefícios desta ferramenta, que destina-se a todos os indivíduos que apresentam alterações estruturais e desequilíbrios musculares. As inscrições estão abertas*!

O QUE É O SGA (Stretching Global Ativo)?
É uma ferramenta de correção postural, que nasceu da Reeducação Postural Global, criada por Philippe Souchard. Esta caracteriza-se pelo trabalho corporal direcionado às deformidades corporais e no alongamento de cadeias musculares retraídas, e torna-se uma alternativa aos alongamentos tradicionalmente conhecidos.
Assim, através da conjugação do estiramento muscular e do controlo respiratório, cada indivíduo participa ativamente num alongamento progressivo e não forçado com auto posturas, de modo global, pelo recrutamento simultâneo de vários músculos, sempre de acordo com as suas necessidades específicas.

A QUEM SE DESTINA?
A todos os indivíduos que apresentem alterações estruturais e desequilíbrios musculares, e que pretendam corrigi-los, bem como, melhorar a sua condição geral no dia a dia ou em contexto de treino desportivo, prevenir dores e desconforto corporal, prevenir lesões e melhorar a sua flexibilidade.

QUAIS OS BENEFÍCIOS?
- Melhoria da flexibilidade global;
- Diminuição a tensão muscular;
- Melhoria da postura e alinhamento corporal;
- Potencia ao desaparecimento das compensações e rigidez específicas;
- Potencia a ação muscular e o correto desempenho biomecânico.

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Fisioterapeuta Joana Neto - CV
Licenciada em Fisioterapia pela Escola Superior de Saúde de Leiria (2016)
Formação em Pilates Clínico Matwork MW1 e MW3 com certificação APPI, pela Bwizer (2016)
Formação em Terapias Miofasciais, pela Bwizer (2016)
Formação em Ginástica Abdominal Hipopressiva pela Low Pressure Fitness (2016)
Formação em Stretching Global Ativo: RPG aplicado ao Desporto, pela Bwizer (2017)
Formação no método de Introdução ao Conceito de Bobath em Pediatria pela Formaterapia (2017)

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*Informações e inscrições sobre as aulas
As aulas decorrem na Rua Miguel Torna, lote 35, loja 33, em Leiria.
Mais informações e inscrições através do número 244 109 427 ou do email ana.amado@physioclem.pt

Aulas de grupo: correção postural vs coluna saudável



Estima-se que a Dor Lombar, em Portugal, afete 40% população, e que pelo menos 70% dos indivíduos ao longo da sua vida terão um episódio de dor na coluna, relacionados, maioritariamente, com a postura incorreta, estilos de vida inadequados e disfunções associadas.

Por sua vez, condições como a Incontinência Urinária, a “descida” de orgãos pélvicos, complicações pós-parto, consequências da gravidez, idade avançada, excesso de peso, menopausa e prática de musculação, afetam cerca de 20% dos Portugueses.

Face a estes números e com o objetivo de prevenir e minimizar os sintomas dolorosos da coluna, a Physioclem convida-o a experimentar as aulas de Pilates Clínico, Ginástica Abdominal Hipopressiva e SGA (Stretching Global Ativo), pela Fisioterapeuta Joana Neto*, na Rua Miguel Torga. As inscrições estão abertas!

O QUE PODERÃO TER EM COMUM AQUELAS PATOLOGIAS? 
Ambas de elevada frequência, podem ter a sua origem numa Disfunção do Pavimento Pélvico, que é caracterizada pela ineficiente ativação dos músculos pélvicos.

O QUE É O PAVIMENTO PÉLVICO?
O Pavimento Pélvico é constituído por vários músculos, que se situam na região pélvica e formam uma espécie de cama em rede, essenciais para a sustentação dos órgãos pélvicos (como a bexiga e o útero, por exemplo).
Mas a sua importância vai mais longe, sendo também responsável pela estabilização e sustentação da coluna lombar. Isto porque através da sua correta ativação e consequente contração muscular, estimula a que os músculos, responsáveis por manter a estabilidade da coluna lombar, contraiam, também eles, adequadamente. Evitando, assim, instabilidade  lombar, que levaria a alterações estruturais da coluna, traduzidas muitas vezes em queixas de dor e desconforto.

COMO PREVENIR E REVERTER ESTES PROBLEMAS FREQUENTES?
É importante começar por corrigir desequilíbrios musculares instaurados, fortalecendo todos os envolvidos na sustentação e estabilidade destas estruturas, prevenindo assim o agravamento da condição, as posturas incorrectas, e, principalmente, diminuir a dor e desconforto sentido.
Para este efeito a Fisioterapia, possibilita-lhe uma intervenção completa e individualizada através de Classes de Pilates Clínico em grupo ou individualizadas, nas quais são integradas técnicas de Ginástica Abdominal Hipopressiva e Streching Global Ativo, consideradas de excelência para a recuperação destas condições

O QUE É O PILATES CLÍNICO?
Define-se como um método de controlo muscular, tendo como principal foco a manutenção e fortalecimento da musculatura estabilizadora da coluna, aliando-se a componentes de concentração, correção postural e coordenação respiratória, através de movimentos precisos e fluídos, permitindo o trabalho conjunto do corpo e a mente.
Pode ser realizado no solo, em equipamentos específicos ou com utensílios próprios, de modo a personalizar-se a intervenção adequada à condição do indivíduo e à sua progressão.

O QUE É A GINÁSTICA ABDOMINAL HIPOPRESSIVA?
É um sistema de treino direcionado para o treino da musculatura postural e coordenação respiratória, que, também ele, mantém o foco nos músculos da parede abdominal e do pavimento pélvico, sem aumentar a pressão intra-abdominal.
Deste modo, a sua especificidade de treino baseia-se num ritmo respiratório controlado, combinado com posturas de contração isométrica e intervalos de apneia respiratória, conduzindo à melhoria do tónus muscular, relaxamento e correção postura.

O QUE É O SGA (Streching Global Ativo)?
É uma ferramenta de correção postural, que nasceu da Reeducação Postural Global criada por Philippe Souchard. Esta caracteriza-se pelo trabalho corporal direcionado às deformidades corporais e no alongamento de cadeias musculares retraídas, e torna-se uma alternativa aos alongamentos tradicionalmente conhecidos.
Assim, através da conjugação do estiramento muscular e do controlo respiratório, cada indivíduo participa ativamente num alongamento progressivo e não forçado, de modo global, pelo recrutamento simultâneo de vários músculos, sempre de acordo com as suas necessidades específicas.

QUAIS OS BENEFÍCIOS DESTAS CLASSES?
Através do recurso às três técnicas referidas, é possível obter uma intervenção completa, global, bem como, uma intervenção personalizada e específica à condição apresentada pelo indivíduo. O facto destas serem acompanhadas pelo seu Fisioterapeuta, permite uma avaliação pormenorizada, identificando-se desta forma a verdadeira causa do problema apresentado pelo utente. Conseguindo-se, assim, de imediato focar a intervenção na sua necessidade primária, bem como garantir um acompanhamento no seu dia a dia, que possibilita a adequação constante do seu plano de recuperação e bem-estar.

Benefícios globais:
- Correção postural Global;
- Aumento a flexibilidade através do alongamento global das cadeias musculares;
- Fortalecimento da musculatura profunda e superficial;
- Melhoria da circulação sanguínea;
- Promoção da relação entre o corpo e mente;
- Diminuição do risco de lesões e recidivas;
- Promoção do processo de recuperação;
- Otimização da eficiência dos padrões de movimento, reduzindo o risco de lesões;
- Melhoria da condição física e tolerância ao esforço;
- Alívio de stress e melhoria de auto estima.

Seja bem-vindo! Deixe-nos olhar pelas suas costas!

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*Fisioterapeuta Joana Neto - CV

Licenciada em Fisioterapia pela Escola Superior de Saúde de Leiria (2016)
Formação em Pilates Clínico Matwork MW1 e MW3 com certificação APPI, pela Bwizer (2016)
Formação em Terapias Miofasciais, pela Bwizer (2016)
Formação em Ginástica Abdominal Hipopressiva pela Low Pressure Fitness (2016)
Formação em Stretching Global Ativo: RPG aplicado ao Desporto, pela Bwizer (2017)
Formação no método de Introdução ao Conceito de Bobath em Pediatria pela Formaterapia (2017)

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Informações e inscrições sobre as aulas
As aulas decorrem na Rua Miguel Torna, lote 35, loja 33, em Leiria.
Mais informações e inscrições através do número 244 109 427 ou do email ana.amado@physioclem.pt



domingo, 6 de agosto de 2017

CORRER AUMENTA O RISCO DE ARTROSE (OSTEOARTRITE)?


A corrida, quando realizada com o objetivo de melhorar a nossa saúde, é um dos melhores exercícios que pode ser prescrito, uma vez que apresenta efeitos positivos a nível cardiovascular,  musculoesquelético e respiratório. Ajuda a perder peso, a diminuir os níveis de colesterol, a melhorar a resposta do sistema imunitário, a lutar contra o stress e a depressão, etc.
Contudo, será que dependentemente do volume e da intensidade da corrida, esta pode-se tornar prejudicial e apresentar efeitos negativos sobre a nossa saúde?
A resposta é sim. Nos últimos anos, tem existido uma preocupação crescente, por parte dos profissionais de saúde, com os corredores, uma vez que a corrida tem sido associada ao aparecimento de Artrose (Osteoartrite), nomeadamente nas articulações da anca e do joelho.

A Artrose (Osteoartrite) sendo uma condição caracterizada pela lesão da cartilagem das articulações e dos tecidos tecido envolventes, provocando dor, rigidez e perda de função, afeta negativamente o dia a dia destes indivíduos. De destacar, entre as diversas limitações às atividades, as dificuldades em andar, subir e descer escadas, agachar‑se, em dormir, entre outras.

Assim, para perceber qual o volume e intensidade de corrida que não apresenta risco prejudicial para a nossa saúde, é necessário dividir os indivíduos em três grupos: os de competição, os recreativos e aqueles que não correm (sedentários). Os corredores de competição são considerados todos aqueles que fazem ou já fizeram parte de alguma equipa profissional ou qualquer corredor que já representou o seu país em competições internacionais; enquanto que os corredores recreacionais são indivíduos que correm apenas de forma amadora.
Segundo uma revisão sistemática realizada em junho de 2017, com uma amostra de 125 810 indivíduos, concluiu-se que os corredores recreativos apresentam um risco de desenvolver OA de apenas 3,5%, o que é muito inferior aos dados referentes aos não-corredores (sedentários) e aos corredores de competição (10,2% e 13,3% respetivamente).
A corrida recreativa não só apresenta efeitos benéficos na saúde em geral, como também apresenta um efeito protetor em relação ao risco de desenvolver Artrose, contrariamente a um estilo de vida mais sedentário ou um elevado volume e/ou intensidade de corrida. Correr, de forma recreativa e como hábito de vida saudável, pode ser considerado seguro e uma atividade benéfica para a saúde.

Ademais, os autores definem um elevado volume de corrida quando a distância percorrida semanalmente é superior a 92 km, pelo que percorrer uma distancia inferior 20-42 Km por semana) de forma recreativa durante muitos anos (superior a 15 anos) é seguro e apresenta benefícios para a saúde em geral bem como para a articulação da anca e dos joelhos em particular.

Existem vários outros fatores de risco para a Artrose, incluindo aumento do peso, carga de trabalho e lesão prévia (incluindo cirurgias anteriores) que, provavelmente, aumentam o risco de a desenvolver.
Indivíduos com excesso de peso, quem têm trabalhos exigentes do ponto de vista de carga física ou que têm ou tiveram lesão no joelho e/ou anca devem iniciar a atividade física com um modo de exercício com menor carga nas articulações (ou seja, elíptica, bicicleta, treino de resistência) até ter construído a estrutura adequada para correr.
Lembre-se que para correr deve estar em forma (apto) e não correr para ficar em forma.

Em suma, uma corridinha não só não prejudica as suas articulações, como até pode melhorar a sua saúde!

Autores:
Ft. Luis Nascimento e Ft. Ivo Dimas

Fonte:
Alentorn-Geli, E., Samuelsson, K., Musahl, V., Green, C. L., Bhandari, M., & Karlsson, J. (2017). The Association of Recreational and Competitive Running With Hip and Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta analysis. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, (0), 1-36.


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Afinal, o que é a DOR?




Fechei a agenda. Fiz um risco nos dias 26 e 27 de abril. Parti para uma nova aprendizagem. Levei uma mala vazia, para regressar com ela cheia. Aprendi que compreender a dor é o mais importante para iniciar a recuperação. Palavras do mestre David Butler. Minhas, agora, também. 
Durante dois dias, em York (Inglaterra), Butler, um dos fisioterapeutas mais conhecidos do mundo, ensinou que não importa o diagnóstico ou a condição, há quanto tempo se vive com a dor, onde é ou quão grave é, mas sim que aprender sobre a sua dor pode ser útil. Porém, como tantas outras coisas na vida, a aprendizagem da dor requer paciência, persistência e coragem.

O fisioterapeuta australiano, que nos últimos 15 anos tem desenvolvido um trabalho revolucionário na área da dor e mentor do reconhecido NOI Group, testemunhou que com a Explicação da Dor o paciente aprende a usar o movimento, as emoções, as atividades, a respiração, o planeamento, os amigos, a família, os profissionais de saúde, o trabalho, os pensamentos e as “drogas” internas (seretonina, endorfinas e outros substâncias similares à morfina – hormonas da felicidade) para ultrapassar o problema.  

Cada uma das suas palavras completavam-se com exemplos concretos, tornando-se mais simples compreender a Explicação da Dor. Dei por mim a “viajar” para o interior da Physioclem. Passavam-me rostos, histórias, pela mente. Chegou à conclusão, através do seu trabalho, que a dor explicada através da neurociência tem mais resultado que qualquer medicamento. Desencadeia um efeito extraordinário, sem custos, efeitos secundários e dependência de profissionais de saúde.


O que é isto de Explicar a Dor? Como pensar e sentir a dor? 
Tudo, refere Butler, depende do contexto: localização, situação em que o paciente se encontra, suas crenças, valores, compreensão e conhecimento que tem de si e do seu problema.

Um longo caminho, mais de 15 anos, e uma ferramenta inovadora: “Protectometer”, que se divide em duas grandes áreas: DIM’s (Danger In Me) e SIM’s (Safe In Me). Um tratamento que deve ser “ministrado” ao longo da vida. Se conhecermos os perigos, saberemos como evitá-los e, assim, afastar a dor. A educação é uma das ferramentas que ajuda a afastar a dor. Quando a dor já está “implantada” é importante perceber a sua origem, para que seja mais fácil afastá-la. 
Cada pessoa é um ser único. “Protectometer” reforça esta ideia. Por isso, somos também: o que ouvimos, vemos, cheiramos, provamos ou tocamos; o que fazemos; o que dizemos; o que pensamos e acreditamos; os locais onde vamos. Além disso, as pessoas têm impacto na nossa vida. O nosso corpo manifesta-se face ao que está a seu redor. E pode, mesmo, ficar em alerta. Os sinais são excelentes conselheiros.

“Sentimos dor quando o nosso cérebro conclui que há mais provas credíveis de perigo do que de segurança”, reforça David Butler. E é tão simples percebermos isso. Quem melhor do que nós conhece o próprio corpo?! As dores?! As razões?! 


Mas afinal o que é a dor?
Se há uns anos, se definia a dor como um output emergente de um sistema múltiplo - como uma neuroassinatura, construída quando o cérebro concluía que os tecidos corporais estavam em perigo -, hoje, e para Butler, é uma percepção, na qual a experiência é considerada um output para a consciência que reflete o que o cérebro estima ser a melhor resposta. 

Na minha cabeça, o puzzle começava construir-se. A dor, finalmente, começa a deixar de ser entendida como algo “mau”, passando a ser vista como uma experiência positiva. Uma estratégia do cérebro para proteger o corpo. Faz ainda sentido acrescentar que a dor crónica não é um “defeito do sistema”, mas a continuação da utilização da estratégia de proteção.

Ativar sensores de perigo, não de dor
A dor é normal, pessoal e real. Todos a sentimos num qualquer momento da vida ou em vários. Porque os exemplos são riquíssimos e elucidam bem esta ideia: Uma palmadinha no rabo do menino, se estiver num contexto de brincadeira não é nada, no entanto, se estiver num contexto de um zanga é muito. São vários os cenários que podemos esmiuçar. O contexto, o momento, a forma como nos sentimos testemunham o grau da dor.

Bioplásticos. Quer esta palavra dizer que podemos mudar. Nada é para sempre, nem estamos condenados a nada. O ser humano tem uma capacidade inata de adaptar-se. Hoje, aprendi. Aprendi muito. Além disso, tenho a certeza que aprender sobre a dor ajuda o indivíduo e, consequentemente, a sociedade. Não mudamos porque sim, mudamos porque faz sentido, caso contrário de nada vale. E quando escolhemos o caminho, é preciso, sem dúvida, alterar comportamentos, que vêm, essencialmente, de dentro para fora.

Longe estão as minhas palavras de querer dizer que devemos abandonar a Terapia Manual. A educação é uma ferramenta. O paciente, que em nós confia o seu tratamento, é a “peça” chave de todo o trabalho, porque participa também na modelação da sua dor. Juntos é possível Explicar a Dor. E entendê-la. 
Talvez, por isso, seja fácil escrever: “O paciente acredita em nós, damos-lhe segurança, dizemos-lhe o que ele tem, para que fique descansado. Tratamos e sente-se melhor. A Terapia Manual, pelo toque, facilita a "entrada" na história do paciente. Entramos no espaço íntimo. Conta-nos mais. Expõe-se mais. Confia mais. Torna-se mais fácil cuidar, tratar”. Sabemos que o sorriso ao invés do choro, reverte o processo inflamatório. Sabemos que o apoio da família e amigos, faz toda a diferença - Safe In Me. Sabemos que acreditar no processo de reabilitação, cura as cicatrizes. Já o contrário acumula “feridas” e desequilibra a balança - Danger In Me.
Ser feliz é um SIM. Um abraço é um SIM. Um sorriso é um SIM. Todos estes sentimentos estão associados à libertação das chamadas hormonas da felicidade: seretonina, endorfinas e outras substâncias da família das morfinas endógenas. Estes SIMs dão acesso à nossa caixinha de medicamentos próprios do nosso corpo. A farmácia interna.

Em cada momento livre, os meus pensamentos tornam-se ainda mais óbvios. Olhando para o trabalho que desenvolvemos, na Physioclem, cada palavra de Butler parece fazer ainda mais sentido quando ligamos aos casos que acompanhamos. A forma como as pessoas absorvem os seus problemas, doenças, fazem toda diferença.  

Há comportamentos que reforçam o sistema neuroimunitário e neuroendócrino (SIMs):                        
  1. CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO alteram a percepção de medo, alterando  comportamentos;
  2. PERCEÇÃO DO ELEMENTO STRESSOR - identificar o que nos prejudica, reduz o impacto;
  3. EXERCÍCIO deverá ser adequado e ajustado ao momento, para que não passe de um SIM para um DIM;
  4. PERCEPÇÃO DE SAÚDE - quanto mais a pessoa pensa que está saudável melhor será o desempenho da sistema imunitário;
  5. SISTEMA DE SUPORTE SOCIAL - quanto maior for, mais eficaz é o sistema imunitário. Ter o apoio e a presença dos amigos e da família são altamente benéficos para a saúde/sistema imunitário.
  6. SISTEMA DE SUPORTE MÉDICO - um bom sistema de saúde dá uma enorme segurança ao paciente. Já a controvérsia de opiniões, entre os diferentes profissionais de saúde, pode ser um potente DIM, porque gera confusão, apreensão, incerteza, medo…
  7. SISTEMA DE CRENÇAS (pode ser SIM ou DIM, dependendo da crença). A crença de que a doença veio por algum motivo, que tinha de passar por aquilo, faz com que a pessoa aceite o problema.
  8. HUMOR - rir é um extraordinário libertador hormonal da felicidade, trazendo bem-estar e reduzindo a dor. 
  9. COPING SKILLS - conjunto de estratégias para lidar com o stress. Sabemos que há, através da nossa prática clínica e mesmo da nossa experiência pessoal, estratégias que podemos adequar a determinados pacientes. 
  10. DIETA SAUDÁVEL - Há alimentos pró-inflamatórios e outros anti-inflamatórios (aparentemente os ricos em Ômega 3).
  11. ESTILO DE VIDA - fumar e o consumo de álcool são pró-inflamatórios. A restrição calórica pode ter um efeito anti-inflamatório.
  12. NATUREZA - um extraordinário SIM.
  13. SONO - reparador importantíssimo para o bom funcionamento do sistema neuroimunitário e neuroendócrino.
Tantos outros SIMs se podem acrescentar. Cada pessoa deverá conhecer o seus e potencializá-los.


”Explain Pain" é ensinar às pessoas sobre os processos biológicos subjacentes à dor e estabelecer um tratamento. É ensinar que a dor é uma resposta de proteção.                    

Perguntas que temos de fazer a nós e/ou aos pacientes: 
  1. Será que o paciente quer saber mais sobre dor e ciência?                        
  2. O paciente gosta de aprender?
  3. O paciente tem capacidade para aprender? 
  4. O paciente tem acesso a mais informação e sabe como usá-la?
  5. Onde procura o paciente o conhecimento sobre o seu problema?
  6. Qual o nível literário do paciente, em termos de saúde?
  7. Que equívocos/ideias erradas/crenças adversas tem o paciente?
  8. Quais são os conceitos alvo relevantes para este paciente? 

“Clean up your language” - Deita os DIMs para lixo e canta os SIMs
De que nos vale estudar a lição, se não a colocarmos em prática?! A mudança de paradigma deve ser feita também pelos profissionais de saúde. Quando a praticarmos, a linguagem do paciente também vai mudar. 

A equipa do Butler é focada na evidência, apresentando apenas o que está provado. Porém, nós, os clínicos, devemos seguir também a nossa intuição e experiência, associando-as ao que a ciência diz. Há ainda muito para saber sobre a Terapia Manual, diagnóstico e tratamento de disfunções específicas. A ciência pode estar a induzir a uma banalização dessa especificidade por não lhe conseguir chegar. É importante relembrar as limitações das investigações publicadas.        


Como deverá atuar o fisioterapeuta?
Ajudar a pesquisar os SIMs e DIMs será o caminho de excelência. Se explicarmos sobre a biologia da dor, talvez faça mais sentido para os pacientes, dado que ficarão em exposição os factores potencialmente danosos (DIMs) e os potencialmente promotores da saúde, bem-estar, da reparação tecidular (SIMs). Psicologia positiva!
É importante passar aos pacientes que vale a pena ser otimista, desde que realista. Há problemas graves, mas é importante acreditar que a dor pode passar ou minimizar. Apresentar o que se pode fazer é outra questão crucial, usando uma linguagem compreensível. Não temos de ir ao pormenor. Talvez, sejam as metáforas e as histórias as maiores riquezas para explicarem-se os problemas e o caminho a seguir.

O Protectometer pode ser, facilmente, preenchido com os pacientes, com questões simples: Relaciona a sua dor com alguma coisa na sua vida? As suas dores aumentam na presença de alguém, quando se lembra de alguma coisa ou em algum momento do seu dia?
Há muitos SIMs por aí. É preciso estar atento e deixar o corpo reagir. Ele saberá como fazer a transformação interna. Só temos de estar presentes de coração.


Fuga ou luta
Fomos feitos para reagir em situação de perigo. Temos um extraordinário sistema de “Fuga ou Luta” que nos permite reagir de forma rápida para sobreviver. Nos livros de fisiologia a imagem clássica, para explicar este fenómeno, é o animal feroz atrás do indivíduo. O Sistema Nervoso Simpático desencadeia uma série de reações que permitem estar num estado de alerta. Hoje não temos animais ferozes atrás de nós, mas temos imensas situações que nos despertam a mesma reação. 

E como reage o nosso corpo, perante algo que nos causa desconforto?
  1. Sistema respiratório – aumento da frequência respiratória, hiperventilação;
  2. Sistema Nervoso Simpático – aumento da sudação, alteração da circulação sanguínea, aumento da pressão arterial, alterações de peso, sensação de ansiedade, perturbação do sono, ataques de pânico;
  3. Sistema motor – aumento da tensão muscular, movimentos mais rígidos;
  4. Sistema endócrino – identificação do processo de reparação tecidular, perturbação da digestão, alteração do peso, aumento da flatulência, obstipação, perda da líbido, afectação da memória, incapacidade para reter informação, depressão;
  5. Psicossocial – ansiedade, medo, maior reatividade ao meio envolvente, diminuição na participação social, comportamentos anti-sociais;
  6. Percepção corporal – perturbação na noção corporal, perturbação da noção de lateralidade, possível rejeição de uma parte do corpo, sensação de que uma parte do corpo não lhe pertence;
  7. Sistema imunitário – depressão, mais dor, cansaço, maior susceptibilidade para infeções ou constipação.

Não é novidade dizer que stress causa uma série de doenças secundárias. Porém, é importante afirmar que o DIM não está no que os outros dizem ou fazem, mas sim na forma como nós ouvimos/interpretamos o que os outros dizem ou fazem. 
A palavra certa no momento certo pode ter um efeito extraordinário. Pode desencadear a tal libertação dos anti-inflamatórios e opioides endógenos. Porém, nem sempre a palavra que possa parecer a mais certa, será recebida da melhor maneira. Partilhar a informação certa, no momento certo, com as palavras certas para determinado paciente. Com o grau de complexidade certo, para o grau de cultura/literacia da pessoa que temos à nossa frente. Para chegarmos com a nossa mensagem, temos de conhecer o nosso ouvinte. 


Fim que é o início
O fim jamais é o fim. Foi apenas o fim de dois dias de aprendizagem com Butler, com quem quererei aprender muito mais. O início de uma caminhada. Sempre que percorria as ruas de York, os pensamentos deambulavam entre metáforas e os rostos que me vinham à memória, pela importância das suas histórias. A Revolução Industrial que naquelas terras começou dará belas metáforas. A vida também o é em diferentes momentos.

Sai de Inglaterra mais rico e ansioso por partilhar tudo o que aprendi. Quando acreditamos naquilo que vivenciamos torna-se mais simples explicar. Ora, aqui está um SIM. A oportunidade de dividirmos. 

O tempo é só a gota de água. A própria expressão "a gota de água" é uma (boa) metáfora!


Marco Clemente


sexta-feira, 12 de maio de 2017

“Cientificamente falando” sobre postura com crianças!





Uma criança apenas deveria carregar às costas o equivalente a 10% do seu peso corporal. Infelizmente, e tendo em conta o número de manuais escolares e não só, o peso que transporta, por vezes, é o dobro. Errado!
São várias as questões que se levantam, cada vez que uma criança suporta este peso no seu frágil corpo, que ainda se encontra em formação. As alterações posturais, em especial aquelas relacionadas com a coluna vertebral, têm início na fase do crescimento e podem afetar crianças e adolescentes em fase escolar.

A Physioclem participa com frequência em atividades de sensibilização nas escolas da região. Desta vez, a convite do polo da Universidade de Coimbra em Alcobaça, no âmbito do projeto “Cientificamente falando”, estamos a percorrer as escolas do concelho de Alcobaça e de outros limítrofes, nomeadamente nomeadamente, Rio Maior, Caldas da Rainha, Alenquer. 

Recentemente, a nossa fisioterapeuta Sara Lourenço deslocou-se à EB1 de Alfeizerão e de São Martinho do Porto. “As crianças ouvem com atenção tudo o que dizemos e corrigem a postura. Querem todas pesar as malas. A sensação que trago sempre comigo é que ficam em alerta”, explica. Porém, deixa o aviso: “É importante repensar o peso que as crianças transportam diariamente, dado que não é, de todo, saudável”.

























quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Mochilas escolares: terão as crianças de suportar este peso?






“Pai, à quinta-feira mal aguento com a minha mala. Fico cheia de dores nas costas”, Ana Rita, 10 anos. “Às terças tenho de andar toda inclinada para a frente e com os ombros encolhidos”, Maria João, 13 anos. Se enquanto pai acho um exagero, enquanto profissional não tenho dúvida de que estamos a contribuir fortemente para os maus hábitos posturais que são um dos principais causadores das disfunções cervicais e lombares. São estas as principais causas de dor musculoesquelética e, consequentemente, os grandes causadores de absentismo (faltas ao trabalho) e presentismo (diminuição do rendimento no trabalho). Se as entidades responsáveis não contribuem voluntariamente para a promoção da saúde, é fundamental legislar e assim obrigar a que tenham este fator em consideração. A mala de terça-feira pesa 9,3kg e a menina 29,4kg – 31,6% do peso corporal. Se pesar 70kg, imagine-se a carregar, por exemplo, todos os dias, uma mala de 22kg!


Conheça também a:

Posição da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas relativa à Petição Contra o Peso Excessivo das Mochilas Escolares

Encontra-se a decorrer em domínio público uma “PETIÇÃO CONTRA O PESO EXCESSIVO DAS MOCHILAS ESCOLARES EM PORTUGAL”, da iniciativa de José Wallenstein.
A importância desta temática mereceu a atenção do Conselho Diretivo Nacional da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas (APFISIO), justificando a publicação da presente nota.
O que se sabe sobre a saúde das costas das crianças e jovens
- As dores nas costas custam três vezes mais que o conjunto dos custos relativos a todos os tipos de cancro (Agência de Avaliação dos Cuidados de Saúde da Suécia, relatório de 2000).
- Existe uma relação entre as queixas de dores nas costas na adolescência e problemas da coluna vertebral na idade adulta (Brattberg, 2004; Jones, Watson, Silman, Symmons, & Macfarlane, 2003).
- Num estudo 1995 verificou-se que uma percentagem importante de adolescentes de 13-14 anos que referiam dores nas costas, apresentava já lesões que se supunha surgir apenas nos adultos (Salminen, Erkintalo, Laine, & Pentti, 1995). 
- Estudos ao longo dos últimos 20 anos, no âmbito do projeto “Aventura Social e Saúde”, coordenado pela Profa. Doutrora Margarida Gaspar de Matos, confirmam que uma em cada três crianças e adolescentes portugueses refere queixas de dores nas costas, com um ligeiro predomínio nas raparigas.
- Os jovens do grupo etário dos 10-12 anos são aqueles que estão mais expostos aos fatores de risco de dores nas costas relacionados com o uso da mochila.
O que se tem feito
Mesmo antes da Direção-Geral da Saúde ter incluído a Saúde das Costas no Programa Nacional de Saúde Escolar, um grupo de investigadores portugueses que integrava fisioterapeutas, técnicos de saúde ambiental, médicos de família, médicos de saúde pública e professores de educação física, coordenado pelo fisioterapeuta Emanuel Vital, desenvolveu investigação sobre este problema que decorreu entre 2003 e 2009. Durante seis anos foram acompanhados cerca de 700 alunos obtendo-se informação sobre a saúde das suas costas ao longo do seu desenvolvimento.
Do projeto “Escola e Saúde” viria a resultar um programa de promoção da saúde “Se as minhas costas falassem…”. Durante o programa “Escola e Saúde” foram feitos cerca de 16.000 registos do peso das mochilas. No total foram pesadas cerca de 70 toneladas de mochilas! Durante o programa de promoção da saúde “Se as Minhas Costas Falassem…”, que arrancou em 2006, foram feitos cerca de 3.000 registos do peso das mochilas, com recolhas na ordem dos 13.500Kg!
Três centros de saúde e dezasseis escolas, públicas e privadas, da região centro de Portugal, estiveram envolvidas nesta iniciativa e dela beneficiaram mais de 3500 alunos. Diversos recursos comunitários, municípios, juntas de freguesia, meios de comunicação social e empresas de vários ramos associaram-se a este projeto.
Outros investigadores portugueses, designadamente os fisioterapeutas Prof. Doutor Raúl Oliveira e a Profa. Doutora Beatriz Mingelli, também têm desenvolvido trabalhos nesta área, confirmando resultados publicados um pouco por todo o mundo.
O que se ficou a saber do projeto “Escola e Saúde”
- Nove em cada dez alunos carregam, pelo menos um dia por semana, uma mochila pesando mais de 10% do peso do seu corpo!
- Os jovens de baixo peso e baixa estatura são os mais expostos a este problema. Eles carregam, pelo menos um dia por semana, uma mochila pesando mais de 17,5% do peso do seu corpo!
- A postura do tronco e o modo como os jovens transportam a mochila são os aspetos que necessitam ser melhorados
- A equipa do projeto “Escola e Saúde” determinou, pela primeira vez, recorrendo à técnica estatística de “análise de sobrevivência”, uma relação de causalidade entre peso da mochila e queixas de dores nas costas. Determinou ainda que aquela relação era proporcional ao peso da mochila, isto é, o aumento das queixas acompanha o aumento do peso da mochila. Esse achado científico, que só foi possível obter devido ao desenho do estudo, foi divulgado no 2º Congresso Nacional de Saúde Pública, na cidade do Porto, em 2010.
- O peso da mochila não deve ultrapassar os 10% do peso do corpo. Acima desse valor considera-se que o jovem se encontra exposto a problemas da coluna vertebral.
- Mas não é só o peso que conta. Os jovens que transportavam mochilas pesadas e ao mesmo tempo levavam as mochilas soltas e descaídas eram aqueles que apresentavam queixas com maior frequência.
- Além disso foi encontrado um dado muito importante sobre a condição física dos alunos: os jovens que apresentavam diferenças muito grandes entre a força dos músculos que endireitam as costas e os músculos que dobram as costas referem com maior frequência dores nas costas.
- Foi determinado ainda que a mochila pode ter um efeito protetor da saúde se o seu peso não exceder os 10% do peso do corpo.
Os Jovens são capazes de proteger as suas costas
- Os jovens que participaram no programa “Se as Minhas Costas Falassem…” referiram que passaram a saber como proteger as suas costas.
- Os resultados registados ao longo e no final do programa revelaram que os jovens mostraram ser capazes de fazer algo para proteger as suas costas.
- Os jovens que costumavam carregar a mochila com muito peso conseguiram reduzir em cerca de 2Kg o peso das suas mochilas!
- Os jovens que participaram no programa “Se as Minhas Costas Falassem…” e que costumavam transportar as mochilas mais soltas e descaídas constataram que era fácil proteger as suas costas e reduziram em mais de 15 cm o comprimento das alças das mochilas.
As Escolas também contam . . .
Um estudo desenvolvido pela fisioterapeuta Teresinha Noronha realizado em várias escolas da região centro, abrangendo mais de 2500 alunos permitiu ainda verificar que as condições das escolas também influenciam o peso das mochilas. As escolas com menos cacifos por aluno e as escolas onde não foi implementado o programa “Se as Minhas Costas Falassem…” eram aquelas em que os alunos tinham mochilas mais pesadas.
. . . os pais e os professores também
Em 2011, a fisioterapeuta Teresinha Noronha que integrava a equipa “Escola e Saúde” publicou o livro “Os Meninos das Costas Perfeitas”. Mais tarde, no Instituto Politécnico do Porto, um estudo de investigação conduzido pela mestranda Sandra Silva e pela Profa. Doutora Cristina Argel de Melo, verificou a presença de comportamentos de proteção da saúde (mochilas menos pesadas) nas crianças às quais foi lido aquele livro. Os resultados positivos ocorriam quer o livro fosse lido pelos professores, na escola, ou pelos pais, em casa.
Posição da APFISIO sobre a Petição Contra o Excesso de Peso das Mochilas Escolares
Reconhecendo a gravidade do problema da saúde das costas, a APFISIO apoia todas as iniciativas que visem proteger a saúde, reconhecendo o mérito da petição atual contra o excesso de peso das mochilas, e reconhecendo igualmente, que o poder político tem uma responsabilidade especial nesta matéria. Neste sentido insta os fisioterapeutas portugueses a apoiar essa iniciativa que pode ser acedida em http://peticaopublica.com/pview.asp...
Lisboa, fevereiro de 2017 
Conselho Diretivo Nacional da APFISIO

Bibliografia
- Vital, E., Melo, M.J., Nascimento, A.I., Roque, A. (2006). Raquialgias na Entrada da Adolescência: estudo dos factores condicionantes em alunos do 5º ano. Revista Portuguesa de Saúde Pública. Vol.24; Nº1: 57-84.
- Vital, E., Melo, M.J., Nascimento, A.I., Roque, A. (2007). A Força Muscular do Tronco e as Queixas de Raquialgias no Início da Adolescência. Revista Portuguesa de Fisioterapia no Desporto. Vol.1 Nº1: 4-11.
- Noronha, T. & Vital, E. (2008). Fisioterapia na Saúde Escolar – dos modelos às práticas. Arquivos de Fisioterapia Vol. 1 Nº4: 11-28
- Noronha, T. & Vital E. (2008). “Se as Minhas Costas Falassem”. in "Educação para a saúde no século XXI: teorias, modelos e práticas". Editor: Jorge Bonito e Universidade de Évora. (ISBN: 978-989-95539-3-4): 21-33.
- Vital E. & Noronha, T. (2008). O Efeito do Programa de Promoção da Saúde “Se as Minhas Costas Falassem” na Modificação dos Factores de Risco das Dores nas Costas – um ensaio controlado. in "Educação para a saúde no século XXI: teorias, modelos e práticas". Editor: Jorge Bonito e Universidade de Évora. (ISBN: 978-989-95539-3-4): 34-48.
- Vital, E.; Noronha, T.; Roque, A. L.; Nascimento, A. I.; Melo, M. J.; Joaquim, C.; Rosa, F.(2010). Análise de Sobrevivência Aplicada à Vigilância Epidemiológica das Raquialgias dos Adolescentes: dados preliminares da exposição à carga externa. Arquivos de Medicina (abstract). Vol. 24, Nº 5: 232.
- Noronha, T. & Vital, E. (2011).“Se as Minhas Costas Falassem” – avaliação da efectividade dois anos depois. Revista "Saúde & Tecnologia", Nº5: 12-16.
- Vital, E., Noronha, T., Roque, A. L., Melo, M. J., Nascimento, A. I., Joaquim, M. J., Rosa, F.(2011). Força de Resistência dos Músculos do Tronco em Crianças e Jovens: um contributo para validação de um instrumento de medida e estabelecimento de valores normativos. Revista Portuguesa de Fisioterapia no Desporto, Vol.5 Nº2: 14-24
- Noronha, T. & Vital E. (2012). “Se as Minhas Costas Falassem” – evidência da efectividade. in "Comportamentos de Saúde Infanto-juvenis: realidades e perspetivas". Editor: Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Viseu. (ISBN: 978-989-96715-5-3): 627-633.

- Silva, S. (2013). A influência da leitura do livro “Os Meninos das Costas Perfeitas”, na adoção de comportamentos saudáveis, relacionados com a mochila escolar. Tese de Mestrado. Orientadoras: Melo, C.A.; Noronha, T.M. Editor: Instituto Politécnico do Porto. Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto (identificador: http://hdl.handle.net/10400.22/1917).