quarta-feira, 29 de junho de 2016

"A physioclem é muito mais do que um lugar de trabalho, é uma casa onde aprendo e posso ajudar"








Poucos minutos depois de iniciar a conversa com Luís Ramos, o relógio parece ter parado. Ouvia as suas palavras sábias. Com apenas 25 anos, fala sobre a vida com sapiência, com sentimento, com responsabilidade. Dá valor ao que é realmente importante, ao que acrescenta valor. Confessa que não enche a “cabeça com tralha”. Conheça a história do fisioterapeuta da physioclem que acredita e sente que o corpo também se cura através da mente.

Durante 10 anos, Luís Ramos jogou andebol. Começou por uma brincadeira, mas rapidamente se tornou uma atividade séria sem qual não conseguia passar. As dores da prática conhece-as de cor e salteado. Ombros, cotovelos, joelhos e pés são quem mais sofrem, pela violência do remate ou pelas mudanças bruscas de direção. Razão que o leva a acompanhar, com frequência, provas de voleilol, bodyboard, badminton, ténis, sempre com um dos lemas da physioclem em mente: especialistas em fisioterapia no desporto.



A poucos dias do início do Europeu de Andebol de Praia Sub-16, de 8 a 10 de julho, na Nazaré, que a physioclem está a apoiar, Luís Ramos recorda os tempos em que “vivia” nos pavilhões do Cister Sport de Alcobaça.
“Jamais esquecerei o que passei e senti naquele espaço. Fiz amizades que ainda hoje perduram. Os pais acompanhavam-nos para todo o lado. Eram autênticas excursões”, lembra o jovem.
Um ano antes de seguir para a faculdade, Luís Ramos decidiu abandonar o andebol. “Foi uma opção. Comecei aos 7 anos e entre os 16 e 18 anos estava completamente rendido, até porque jogava na 2ª Divisão do Campeonato Nacional de Andebol”.
Nem só com desporto e fisioterapia se conta a história do alcobacense Luís Ramos. Tem alma de guitarrista. A música é outras das suas grandes paixões. Tudo começou numa das festas em família, enquanto via um tio e um primo a tocar. Ficou rendido e decidiu aprender. Tinha cerca de 10 anos. “Come us you are”, dos Nirvana, foi a primeira do seu repertório. Depois seguiu-se a Escola de Música Serenata, do professor Aníbal Freire. É nesta casa que conhece um dos seus grandes amigos: Diogo Freire.
Juntos começam a trilhar um novo caminho. Outros amigos se juntam. Na Escola Secundária D. Inês de Castro de Alcobaça (ESDICA) vive alguns dos momentos mais entusiasmantes, nomeadamente na tradicional e conhecida Semana Aberta da ESDICA. “É uma escola muito boa, dinâmica que nos dá a possibilidade de fazermos aquilo que realmente gostamos e de desenvolvermos os nossos projetos. Como nunca tocávamos covers, sentíamos a necessidade de compor e de formar uma banda”. No 11.º ano, apresentaram um EP em Inglês.
Mais tarde, surge a banda Meu & Teu. Um grupo que nascia da vontade de contar histórias em português e que chamou a atenção em 2010 depois de ganhar o concurso U Rock. Luís Ramos estava lá! “Tivemos a oportunidade de conhecer muitos músicos fora dos grandes palcos e, além disso, perceber a realidade da música em Portugal, na qual só há lugar para dois ou três…”
Aproximava-se a escolha do curso. O que escolher? As dúvidas teimavam em continuar. O pai, José Ramos, dizia-lhe que um dia seguiria uma área relacionada com cuidar, tratar. Não estava errado, mas a poção por medicina veterinária também tomava conta dos pensamentos de Luís Ramos. Da mãe, Maria da Luz Alpalhão, também recebia o mesmo apoio. “Sempre foram muito exigentes porque querem o melhor para mim”.
“O meu pai sempre viu algo em mim que eu não conseguia ver”, testemunha Luís. José Ramos trabalhou no Centro de Educação Especial, Reabilitação e Integração de Alcobaça (CEERIA). Ainda pequeno, e as memórias são vagas, percorria as instalações da instituição com o progenitor, que era professor. Talvez tenha ficado alguma coisa… Aliás, ficou muito, porque no momento dos estágios lidava com grande à vontade com pessoas com deficiência física ou mental.
De “paraquedas” cai na Escola Superior de Saúde do Alcoitão. O primeiro semestre, relembra, foi complicado. “Ao primeiro contacto sou muito tímido. Como não tinha nada para fazer dediquei-me aos estudos. Anatomia era aquele cadeirão. Havia centenas de nomes para decorar”. E agora? Luís Ramos tinha a solução: encheu de post it as paredes do quarto com desenhos de ossos e músculos e respetivos nomes. Garante que ainda hoje é capaz de dizer a maioria.
Os estágios acabaram por acontecer nos “melhores sítios”. Relembra a passagem pela Academia de Futebol do Benfica, no Seixal, pelo Rugby de Belém, pela Federação Portuguesa de Ginástica e pelas diferentes modalidades do Benfica.
O último estágio acontece na physioclem em Torres Vedras, tendo como orientadora Ana Catarina Almeida. “Uma pessoa brilhante que me ensinou muito e me recomendou no momento de preencher uma vaga nesta clínica. Devo-lhe muito do que sou, até porque me despertou o gosto pela Osteopatia”. Curso que Luís Ramos já terminou. Fez trabalhos pontuais na physioclem até ao mês de dezembro de 2013.
Com as 12 badaladas da mudança de ano, chegavam também as boas notícias. Duas chamadas: uma de Peniche, outra da Lourinhã. Durante um mês, passava as suas tardes nestas localidades. Eis que volta a tocar o telefone, mas desta vez era da physioclem. Um sonho começava a concretizar-se.
Apontando para o lugar onde estava sentada, disse-me: “foi nessa cadeira do Marco que passei muitas horas a vê-lo, só intervindo quando era solicitado. Pela primeira vez, e apesar de ter um ótimo relacionamento com todos os que conheço desta área, via alguém a ver as coisas como eu vejo. Também sinto assim, sem qualquer julgamento ou preconceito. Ajudo sempre no que for possível”. Luís Ramos não se refere apenas à forma de trabalho, mas também à forma de ver a vida. Quem os vê em diálogo percebe de imediato esta cumplicidade. 
“Há a evidência científica, mas não podemos esquecer que há um outro mundo com o qual temos de ser sensíveis e recetivos. A interação energética é muito importante”, afirma o jovem fisioterapeuta.
Luís Ramos acredita no poder da atração. “A simples intenção de querer cuidar já ajuda a tratar”.
Aos clientes garante que dá muito trabalho de casa. “Responsabilizo muito as pessoas. É necessário fazer muitos exercícios de alongamentos. É essencial conhecer o corpo para cada um saber as suas limitações e onde se encontra a dor”.
“A physioclem é muito mais do que um lugar de trabalho, é uma casa onde aprendo e posso ajudar. É aqui quero ficar. É aqui que quero aprender mais. Nesta clínica temos mentores muito fortes. É um poço de informação, no qual o conhecimento circula”.
Com Luís Ramos aprendemos a valorizar o aqui e o agora. Com este jovem fisioterapeuta percebemos que a vida é muito mais do que os nossos olhos podem alcançar. Nem todos podem acreditar no mesmo, mas a verdade é que todos nós devemos respeitar…
Luci Pais

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Fisioterapia em Cuba: mito ou realidade?






Todos nós já ouvimos, pelo menos uma vez, que para alcançar o sucesso na recuperação da funcionalidade causada por algum tipo de doença neurológica (AVC, Traumatismo Craniano, Paralisias, etc.) é necessário recorrer a Centros de Fisioterapia em Cuba. Todos nós já o ouvimos, mas pouquíssimos se questionam o que é feito em Cuba que não possa ser feito em Portugal.

E se lhe dissermos que os fisioterapeutas portugueses são tão bons ou melhores que os fisioterapeutas cubanos? E se lhes dissermos que os tratamentos que se fazem em Cuba podem ser feitos em Portugal sem os elevados custos associados aos tratamentos cubanos?

O obstáculo reside na forma economicista como muitas clínicas e hospitais gerem esta área da saúde. Relativamente à fisioterapia, e neste tipo de gestão, espera-se que os fisioterapeutas tratem o maior número de doentes numa hora de trabalho, não existindo individualidade, intensidade e especialidade de tratamento.

O sucesso da Reabilitação Neurológica, nestes pacientes, reside no fenómeno denominado por Neuroplasticidade. Trata-se do efeito que resulta da soma de diferentes estímulos ao cérebro por diferentes métodos e vias, tendo como objetivo provocar alterações no funcionamento do mesmo que permitirão a recuperação funcional.

O método aplicado em Cuba difere da maioria dos centros de reabilitação portugueses apenas pela intensidade dos tratamentos, ou seja, cada utente tem um Programa de Reabilitação que é aplicado uma ou duas vezes ao dia, entre duas a quatro horas. O utente em todo o tratamento é acompanhado por um ou mais fisioterapeutas que apenas centram a sua atenção nesse mesmo doente.

O que muitos desconhecem é que o método aplicado em Cuba existe em Portugal e é aplicado em alguns centros de fisioterapia, por fisioterapeutas portugueses especializados em Reabilitação Neurológica.

Luís Nascimento
Fisioterapeuta e Osteopata


sexta-feira, 10 de junho de 2016

"Com a Physioclem sei que posso ir descansado para qualquer prova, em qualquer ponto do mundo"






Quando está em cima de uma bicicleta todo o seu corpo e mente entram num ambiente de felicidade, de liberdade. É sobre rodas que David Rosa quer conquistar o mundo. Em breve, nos Jogos Olímpicos Rio 2016, vai “pedalar” mais um importante momento da sua vida. Um dos atletas, além de Telma Santos (badminton) e Nuno Saraiva (judo), que a physioclem acompanha.
O jovem ciclista de Fátima, de apenas 29 anos, foi o primeiro atleta de XCO (Cross Country Olímpico) português a participar nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Os rankings pessoais, os melhores portugueses e mesmo europeus, bate-os constantemente. 
As suas conquistas estão sempre a fazer história no universo do ciclismo de XCO português, europeu e mundial. “Sou o atleta com mais títulos no escalão elite português. Os bons resultados revelam o empenho e entusiasmo que dedico à minha carreira”, testemunha David Rosa. O maior “furo” desta época ainda o sente com intensidade: “estava para entrar no Top 10 mundial. Não consegui… Fui-me abaixo física e psicologicamente, mas estou de regresso e determinado a dar o meu melhor nos Jogos Olímpicos”.
Uma criança, uma bicicleta 
Cresceu em Fátima. Os avós viviam por perto. A bicicleta, assim que a teve, tornou-se o elo de ligação entre a sua casa e a dos avós.
Foi entre os 3 e os 4 anos que aprendeu a andar de bicicleta, a partir daí nunca mais as largou. “Gosto da sensação de liberdade, da possibilidade de explorar a natureza… Por vezes, também prega sustos, mas as aventuras que se vive, compensam tudo”, descreve.

Recorda-se de aos 7 anos sair de casa. Em cima da bicicleta, parte em direção à casa dos avós paternos. Em casa, a mãe estava estava em pânico, porque não sabia do seu paradeiro. “Quando cheguei a casa, a minha mãe estava a chorar”. 
Cresceu junto ao Santuário de Fátima. Com os amigos, sem que houvesse telemóveis pelo meio, jogava também à bola, mas sempre que podia “fugia” para os montes da região. O seu sonho era ter uma bicicleta, mas os pais só cederam mais tarde ao seu pedido.
Já o espírito competitivo revelou-se cedo. Aos 8 anos, pediu emprestado a bicicleta a uma prima. Ajustaram o selim e lá foi David Rosa. Foi e apaixonou-se ainda mais. “Nesse dia, e como a bike tinha conta quilómetros, passei horas a andar e a melhorar o tempo”. Quando chega a casa da avó materna, cai e desmaia. Nem se tinha apercebido da quantidade de horas e de quilómetros que tinha feito, sem, praticamente, beber água. Valeu-lhe a mezinha de leite e mel que a avó lhe deu. 
Quando deu por isso, mesmo sem bicicleta, já andava à procura de competições de BTT. No Centro de Estudos de Fátima, estabelecimento de ensino que frequentava, surge a opção de Desporto Escolar. Havia atividades de exploração da natureza. No final do período, participou em provas: “batia com alma o tempo dos mais velhos”.
O sonho de ter uma bicicleta, “longe de ser boa para a competição”, chegava pelas mãos do avô materno. “Foi o melhor Natal da minha vida. Nem queria acreditar…” No dia seguinte, pôs-se em cima da bicicleta de manhã e só parou à noite. 
Durante o 8º ano, a paixão pelo veículo de duas rodas esmoreceu, mas regressou no ano seguinte. O divórcio dos pais aproximaram-no novamente das subidas e descidas de Fátima. “Foi um momento muito difícil, andar de bicicleta era a única coisa que me dava felicidade. O desporto foi, sem dúvida, o meu escape”. 
Nem só de ciclismo…
Praticou vários desportos: atletismo, karaté, orientação e patinagem, mas nenhum lhe dava o prazer do ciclismo. “Eu gostava de fazer um pouco de tudo. Vivia intensamente todas as atividades, mas era no ciclismo que me sentia mais preenchido”.
Recorda-se, com um grande sorriso, de uma prova de orientação que fez, em Alvados. “Não sabia minimamente o que se estava a passar. Levava uma mochila às costas com pão e ovos mexidos e salsichas, enquanto os outros só tinham água… Nem sabia por onde tinha de ir. Ainda parei pelo caminho para comer e só depois segui. Quando cheguei, passadas 17 horas, estavam para acionar o sistema de alerta”. 
No final do 9.º ano, depois de ter amealhado dinheiro, comprou uma bicicleta, que já lhe permitia outras aventuras. 
Nesse verão, após terminar o 10.º ano, começa a participar em provas. A primeira federada deu-se nesse ano, numa Taça de Portugal, pelo Clube Académico de Leiria. “Nunca estava preparado para as provas, o meu treino era do pior. O corpo praticamente não descansava. Era esforço em cima de esforço. Via a volta a França e pensava que já dominava tudo. Sentia-me mal várias vezes”, relembra.
Em 2002, o trabalho começa a ser feito com mais consistência após a criação de uma equipa federada na sua escola. Uma iniciativa aberta a toda a comunidade. Começou na promoção (escalão amador), no qual não havia divisões de idade. A meio do ano federou-se e começou a participar em todas as provas. 
Bikes? Tem as todas
As bicicletas, desde a primeira, guarda-as religiosamente. É incapaz de as vender ou dar. Marcam fases importantes da sua vida. “Um dia será uma alegria recordar cada história que tenho passado e vivido”. 
É na alta competição de XCO que vive o dia-a-dia, cheio energia e de vontade de conquistar mais e mais. Garante que entrega durante os treinos o seu “mau feitio, que é bem grande”. Os montes e vales de Fátima conhece-os de uma ponta à outra. Foram-se acrescentando aventuras por diferentes competições que decorriam no país. 
Partilha as histórias como se as tivesse a viver novamente. Com o David percorri quilómetros de asfalto e de terra batida, de norte a sul de Portugal. Subi à Torre da Serra da Estrela. A maioria das vezes acompanhei a prova nos primeiros lugares. Ou, melhor, quase sempre.
Por vezes, partia em último lugar, mas quando dava por si já estava na frente. Algo que acontecia frequentemente, mesmo quando havia provas em simultâneo a decorrer de outros escalões superiores. 
Com a ajuda do pai, professor de Educação Física, continuava o seu sonho. Os pais, embora apoiando a paixão do filho pelo desporto, queriam que David Rosa estudasse. Assim o fez. Os bons resultados chamam a atenção da Federação Portuguesa de Ciclismo, que passa a integrar. Aqui já era acompanhado por um treinador e os melhores resultados não tardam a chegar. “Os treinos eram estruturados. Quando ía para a escola já tinha duas horas de treino em cima. Havia dias que chegava a casa com as mãos e pés roxos. O equipamento ainda não era o mais adequado”.
Estabeleceu objetivos. A ambição era tanto que os cumpria religiosamente. “Sempre que atingia um, passava logo para outro. Ganhar uma corrida; ir à seleção; ir ao pódio; vencer uma prova nacional…”. Cumpri-os todos e acrescentou tantos outros.
Os estudos também prosseguem. Entra em Educação Física, na Faculdade de Motricidade Humana. Dois caminhos que traçou com a ambição de sempre. Chegou, pedalou e venceu. “Os dois primeiros anos foram difíceis. Mudar de terra, deixar os mimos da mãe… Tudo acabou por correr bem”. Quando terminou o curso ainda chegou a dar aulas, mas cedo percebeu que as pedaladas da vida eram outras. Hoje, vive entre Lisboa e Fátima. Os títulos vão sucedendo-se. Hoje, todas as suas energias estão centradas nos Jogos Olímpicos, à semelhança do que já aconteceu em 2012, em Londres. 
Physioclem, desde 2013
A Physioclem entrou na sua vida em 2013. “Se partirmos com dores para provas, os resultados nunca serão bons. Com a Physioclem sei que posso ir descansado para qualquer prova, em qualquer ponto do mundo. São uma equipa maravilha. A relação que se estabelece é de grande confiança. Não só trabalhamos as mazelas, como se faz um excelente trabalho de prevenção”.
Com o apoio da Physioclem e de todos os portugueses, será mais fácil David Rosa dar o seu melhor nos Jogos Olímpicos. Depois, segue-se o Top 10 mundial.
David Rosa sabe que para estar em forma tem de tratar do corpo e da mente. Dois em um. O jovem atleta ensina que sem dedicação e persistência nada se consegue. O trabalho de casa, de cada um, é essencial para a procura do sentido da vida.
Luci Pais




sexta-feira, 3 de junho de 2016

“A Physioclem é uma referência na região, porque todo o trabalho é feito com empenho e dedicação”







Luís Nascimento é um apaixonado pela vida, pelo trabalho. Vive todos os pormenores a 100%. Intensamente. Racionalidade é a palavra que usa para descrever todos os seus passos e forma de estar. Mas bastam cinco minutos, e foram muitos mais, de conversa e de partilha com o fisioterapeuta da Meda (Guarda) para perceber que a paixão que dedica e impregna ao que faz, o tornam num ser humano dedicado, social, emocional.
Cresceu naquela cidade da Beira Interior, onde o Douro já se anuncia. As ruas da Meda conhece-as de ponta a ponta. Preferia a rua. Estar rodeado de amigos. O desporto denunciou-se cedo, nomeadamente o futebol, embora praticasse todas as modalidades que a terra proporcionava aos mais jovens. Passava horas com a bola nos pés. “Fui um miúdo de rua, muito autónomo e traquina. Sempre tive um grande grupo de amigos”, relembra. A mãe, Maria Margarida, trabalhava nos CTT em Trancoso. Passava por lá o dia. Do pai, António Nascimento, não tem dúvidas que herdou a personalidade: racional, social e focado.
Apesar de exercer fisioterapia há anos, ainda hoje tem dificuldade em apontar as razões da opção. Pensou seguir Educação Física, mas, na ocasião, já era um curso sem saída. “Se o desporto foi a razão que me trouxe para esta área, então está tudo explicado. Sinceramente não sei, mas estava decidido a ir para fisioterapia”, testemunha Luís Nascimento, de 32 anos. Ainda entrou em Engenharia Química, no Técnico de Lisboa, mas não era a primeira opção. Depois de um ano de melhoria de notas, tenta entrar numa escola pública. Não consegue. A Escola Superior de Saúde de Alcoitão foi a decisão final.
É no concelho de Cascais que passa os anos seguintes. “Não tive qualquer dificuldade em ambientar-me, primeiro porque tinha lá um primo que é como um irmão, depois a minha capacidade de socialização permite-me fazer rapidamente amigos”. 
Amigos. Leva-nos a outra confessa. “Sinto as amizades intensamente, mas não sou o amigo mais próximo. A falta de tempo é a minha justificação. Passo o dia desligado do telemóvel. Ao fim do dia, por vezes, tenho 40 chamadas e dezenas de mensagens. Sei desta limitação, mas uma coisa é certa quando estou, estou mesmo”. 
Retomando ao curso de fisioterapia. Fez os primeiros três anos do curso bietápico. Nesse momento é convidado, por um dos seus professores, a integrar o grupo de fisioterapeutas da equipa de Futsal do Benfica. Um trabalho que desempenhou ao mesmo tempo que terminava a licenciatura.
Durante o curso, conhece Ana Amado, também fisioterapeuta da Physioclem, e começam a namorar. O amor trouxe-o até Alcobaça. Na ocasião Marco Clemente estava a investir nas Caldas da Rainha. É nesta clínica que Luís Nascimento começa a sua aventura pela região Oeste. 
As oportunidades vão surgindo, face aos bons resultados da Physioclem. Em cima da mesa, põem-se a possibilidade de crescer para Leiria. Luís Nascimento e Ana Amado propõem sociedade a Marco Clemente, garantindo ainda mais o crescimento desta casa. “Em Alcobaça, toda a gente nos conhecia, aqui foi um trabalho que se construiu de raiz, com muito esforço e dedicação. Hoje, somos também uma referência. O facto de ser obsessivo levou-me a semear demais, hoje não tenho mão para tudo. Tenho de pensar em abrandar”.
São 14 as horas que dedica, diariamente, ao trabalho. Só à Physioclem, porque depois ainda dá aulas no curso de Fisioterapia, mestrado (Desporto e Saúde para Crianças e Jovens) e pós-graduação (Terapia da Mão), que leciona no Instituto Politécnico de Leiria. Somam-se aqui ainda mais seis horas semanais do seu tempo, não esquecendo que as aulas preparam-se em casa. “Não sei o que é, ao fim da noite, estar sentado num sofá sem trabalhar”. 
Apesar de não fazer tanto desporto quanto queria, não abdica de correr e de algum ginásio. Uma vez por semana, há sempre um jogo de futebol com amigos. “Levanto-me às seis da manhã para correr e depois sigo para a Physioclem”.
As atividades não se ficam por aqui. Ao sábado também trabalha e ao domingo acompanha a equipa profissional do União de Leiria. Terminada a época, há descanso? Não, não há! Já está à espera dos seus préstimos a equipa de futebol de praia do Sporting Clube de Portugal.
Quando questionado se trabalhar tantas horas seguidas cansa, Luís Nascimento responde com prontidão e assertivamente: “É um prazer, nunca uma obrigação. Estou sempre em contacto com as pessoas e isso é um privilégio, criam-se laços muito fortes de amizade e companheirismo. Além disso, tenho três contextos diferentes - desporto, clínica, aulas - apoiados num dominador comum, a fisioterapia”.
Férias? Apenas duas semanas por ano, uma na neve, para praticar desporto, outra na praia. Os restantes dias junta-os quando tem de tirar formação. Aproveita e fica mais um ou dois dias nos locais onde decorrem.
Tem planos bem definidos para a Physioclem Leiria. Crescer é a palavra que indica como fator primordial. O espaço físico que ocupa está a tornar-se pequeno para todo o trabalho que desenvolvem, nomeadamente na valência desportiva. “Já começa a ser notória a necessidade de criar uma área apenas para a Physioclem desporto, embora tendo no mesmo edifício todo o trabalho que desenvolvemos, mas havendo uma separação de valências”, avança Luís Nascimento. Ainda não há datas para esta mudança, tudo a seu tempo. “Não dou nenhum passo sem ter a certeza que o terreno está firme. Prefiro correr os riscos em segurança”.  
Apesar de todos os convites que tem recebido para dentro e fora do país, Luís Nascimento não tem dúvidas que a Physioclem é a sua casa. “Sabemos como é o mundo do desporto. Não troco o certo, pelo incerto. Sou muito racional”, justifica. Sente a Physioclem Leiria como uma filha. “Está cada vez mais sólida, mas sei que ainda precisa de mim. Qualquer pai sente que os filhos crescem, mas terá sempre necessidade de os proteger”.
Por falar em filhos, Luís Nascimento quer ser pai, apenas ainda não chegou o momento, porque o tempo não se coaduna com os milhares de atividades que tem em mãos. 
Leiria é já a cidade que o seu coração escolheu. “Assumo sempre os lugares por onde passo como meus e faço tudo o que posso para ajudar a comunidade. Só com o envolvimento de todos é que as terras podem crescer”, salienta. O União de Leiria é um clube pelo qual dá tudo e que já ultrapassa a sua profissão.
“A Physioclem é uma referência na região, porque todo o trabalho é feito com empenho e dedicação”. Com os pacientes, criam-se laços de amizade e cumplicidade. “Quando entram nos gabinetes, não há ricos nem pobres, todos se despem não só fisicamente como emocionalmente. Derrubam-se barreiras pela exposição que tem de ser feita. É nesse momento que acabamos por partilhar muito de nós. Somos fisioterapeutas, mas também somos amigos, conselheiros…”
A amizade com os profissionais do desporto também é digna de registo. Há dias em que regressam à Physioclem, não para ser tratados, mas para agradecer e deixarem um abraço. Entre os atletas, depois de ter sido batizado pelo surfista Garrett McNamara, que surfa ondas gigantes na Nazaré, é conhecido como o Luís “Mãos Mágicas”. 
Luís Nascimento tem a vida estruturada e pensada ao milímetro, mas também sabe que a vida constrói-se diariamente, com os afetos e laços que se criam. A magia faz-se dentro e fora do gabinete. Viver a vida intensamente. Talvez, seja esta a bela e grande lição… 
Luci Pais