quarta-feira, 27 de abril de 2016

"Pelo mundo encontro vários fisioterapeutas, mas nenhum se compara aos da physioclem"





Percorre o mundo a fazer o que mais ama. A jogar ténis. Tão depressa está com a raquete na Austrália, como a bater bolas no Clube de Ténis das Caldas da Rainha. Embora qualquer desporto lhe corra nas veias, sabe que é na competição individual que se sente melhor e mais seguro. “Pratiquei também natação e joguei futebol com amigos na escola, mas o ténis sempre me fascinou. É um desporto individual que depende, na maioria das vezes, de mim e isso tranquiliza-me”, explica Frederico Silva.

Voltou a pisar o grande “palco” do Millennium Estoril Open, esta segunda-feira, dia 25 de abril. Debateu-se até ao último segundo, ainda assim não foi suficiente para continuar a disputar o mais apetecível pódio português. Foi contra o espanhol Nicolas Almagro que Frederico Silva, de 21 anos, se estreou com um top100. A mensagem é simples e assertiva: “continuar a trabalhar, para fazer melhor no próximo ano”. Singulares não passou, mas em pares continua.

Competitivo. Dentro e fora do court. Tranquilo. Dentro e fora do court. É esta a postura de Frederico Silva perante a vida, independentemente da área. Não olha com espírito crítico apenas para o que o rodeia, tem a mesma determinação para consigo. “Sou muito exigente, talvez por isso tenha dúvidas se me dava bem num desporto coletivo. Prefiro sê-lo apenas comigo e chatear-me sozinho”, testemunha.
Em Roger Federer, Frederico Silva encontra a mesma postura. “Admiro-o pela forma calma que tem em campo e na vida. Com ele percebemos que é possível controlar as emoções. Aprendi a controlar as minhas. Consigo passar a ideia que estou tranquilo, ainda que, por vezes, por dentro esteja cheio de nervos”.
O jogo da vida é todos os dias, até porque o melhor dia é sempre hoje. Sonhava ser gestor. Essa foi a razão que o levou a escolher Economia. Tinha boas notas. Cada vez que falhava, obrigava-se a fazer mais e melhor. Se um dia, deixar, por alguma razão, o ténis, sabe que pode ser feliz no meio de números. Até aos 16 anos, o ténis era apenas uma oportunidade para divertir-se. A verdade é que rapidamente se tornou um assunto sério, passando a ser algo mais do que simples atividade física.
Entrou para o ténis com apenas 6 anos. 15 anos depois continua no mesmo Clube, com o mesmo treinador. Pedro Felner é o homem que o acompanha desde o início, mas nas suas palavras também não esquece Filipe Rebelo. “O Pedro é muito mais do que um treinador. É um amigo, um cúmplice. Conhece-me melhor do que ninguém. Juntos decidimos o calendário e vamos, quase sempre, juntos para todo o lado”, salienta Frederico Silva.
Há jogos de uma vida. O tenistas das Caldas da Rainha sabe disso melhor do que ninguém, pela postura adulta como conduz o seu dia-a-dia. Pela segunda vez, recebeu um wild card do Estoril Open. Agarrou a oportunidade e lutou. Ainda não foi desta, será, certamente, numa próxima. “É o torneio que todos os tenistas portugueses aguardam ao longo do ano, pela possibilidade de ter na plateia familiares, amigos e população. Faz toda a diferença”.
Lá fora isso não acontece. Algumas vezes, as viagens são feitas sozinho. Prefere jogar na Europa a outros pontos do mundo. Os fusos horários, o clima, a alimentação são alguns dos pontos críticos para quem viaja com frequência: “nos primeiros dias sentimos que o nosso corpo não está a 100%”.
É junto dos pais que encontra o porto de abrigo que tanto precisa. Deles recebe o apoio incondicional para continuar a jornada. Quando chega do estrangeiro, prefere ficar em casa a descansar. Sempre que pode, gosta de pôr o pé na areia e sentar-se na esplanada junto de amigos. Talvez, por ter crescido junto ao mar. “Prefiro ambientes tranquilos, não sou muito de festas”.
Com menos de 18 anos, enquanto Júnior, pisou alguns dos melhores “palcos” do ténis. Roland Garros, Wimbledon e US Open são três dos Grand Slam por onde já passou, mostrando a sua fibra. Foi número 6 no ranking mundial. 
Já não é Júnior e as responsabilidades agora são outras. O esquerdino é o terceiro melhor português na hierarquia ATP e aproxima-se passo a passo do top 200, meta que definiu para este ano. Um dos sonhos da sua vida, ao qual dedica várias horas de treino diário, é chegar ao Top30.
O ténis em Portugal, não tem dúvidas, precisa de mais apoios. “É um desporto muito caro e os clubes não têm capacidade para financiar todas as despesas. É uma modalidade que merece muito mais, se não fossem os patrocinadores, seria tudo muito mais difícil”, constata. Acredita que está é uma das razões que leva atletas de alta competição a mudarem-se para outros países.
De janeiro a novembro, Frederico Silva “palmilha” o mundo, levado pelo sonho. Em dezembro prepara uma nova temporada. Ainda que o tempo para descansar seja escasso, Frederico Silva sente-se feliz e cheio de garra para continuar.
As lesões são constantes, obrigando a recorrentes tratamentos. “Pelo mundo encontro vários fisioterapeutas, mas nenhum se compara aos da physioclem. Nos torneios apenas tratam para jogar, não para curar, porque não há tempo. Aqui é diferente, tratam-me para que não sinta dor e faz-se prevenção. O Marco não é apenas um fisioterapeuta é um amigo. Está sempre presente, mesmo quando não está por perto”, garante Frederico Silva.
Todos nós temos um, ou mais, “match point” na vida. É preciso definir objetivos e acreditar, para que o resultado seja aquele em que acreditamos. Para tal, temos de “treinar”, desistir é que nunca.

Luci Pais

quarta-feira, 13 de abril de 2016

"Sou uma privilegiada por fazer o que amo, rodeada dos melhores profissionais que conheço”

 


 
Nasceu no Canadá. Cresceu nos Açores. Estudou em Lisboa. Vive nas Caldas da Rainha. Trabalha em Torres Vedras. Durante anos, Jessica Margarido saltou de um lado para o outro, mas hoje é no Oeste que concentra as energias. São três os homens - Miguel, Pedro (filhos) e Hugo (marido) - que tornam a vida desta senhora, de sorriso doce, tão especial.

É da paz do Açores que sente mais falta: “Abrir as janelas do quarto ou a porta de casa e ter o mar em qualquer ângulo de visão, dá-nos uma sensação de tranquilidade, de conquista, de liberdade…”. Talvez, por isso, não tenha hesitado quando chegou o momento de escolher o Oeste como “casa”. A proximidade com o mar… O marido conheceu-o em Vila Nova de Mil Fontes, também junto ao mar, durante umas férias de verão. Apaixonaram-se e o coração trouxe-a até às Caldas da Rainha. Todos os dias fazia-se à estrada para estreitar a ligação entre a cidade do Oeste e a Capital, onde trabalhava. “Com o passar do tempo, tornou-se cansativo e decidi enviar o currículo para a phsyioclem”, relembra. 
Aposta ganha e já passaram cerca de oito anos. Ana Amado, fisioterapeuta da physioclem em Leiria, saia da Unidade de Média Duração e Reabilitação da Unidade de Cuidados Continuados e Integrados, da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, ao abrigo de um protocolo, entrava a Jessica. Terminada a colaboração com aquela instituição, Marco Clemente já se encontrava a preparar a abertura da physioclem Torres Vedras. É neste espaço que trabalha até ao dia de hoje, agora só duas vezes por semana, porque desde janeiro também assume funções, com uma agenda mais completa, nas Caldas da Rainha. “Era o que mais queria, há já algum tempo, para estar mais perto de casa”, confessa.
O sotaque açoriano foi-se esbatendo com o tempo, mas garante que o do Pico, onde vivem os seus pais não é tão acentuado como o da Terceira. Ainda assim, e muito pela presença dos progenitores, há palavras que continuam a ser usadas: mapa (esfregona), gama (pastilha elástica), pana (alguidar), naifa (faca), garbiche (caixote do lixo). “Quando os meus pais estão por perto acabo por adotar, ainda que por alguns dias, algumas das expressões, que não são mais do que adaptações do inglês. Muitos dos açorianos estão ou estiveram emigrados pelos Estados Unidos da América e Canadá”.
Do Pico, além das paisagens inesquecíveis, há outras recordações. Aprendeu a tocar bandolim. Um instrumento de cordas, típico daquele arquipélago. Quando veio estudar para Lisboa, na Escola Superior de Tecnologia de Saúde, chegou a pertencer a uma tuna, mas hoje não tem por hábito tocar, apesar da insistência de Miguel e de Pedro. Ficou a promessa de relembrar e de preservar os bons tempos junto dos filhos, através dos sons daquele instrumento.
Antes do nascimento dos filhos, havia sempre um destino de férias em mente. Hoje, as viagens são mais entre Lisboa e os Açores. “Pelo menos duas vezes por ano, nomeadamente durante a época natalícia, estou com os meus. As viagens centram-se mais pela Europa, mas quando crescerem temos muito para descobrir”, testemunha Jessica. Regressar ao Pico é regressar às origens, apesar de parte da família continuar pelo Canadá. Lembro-me de subir às árvores, brincar livremente e de ver as chaves nas fechaduras das portas. Poderia demorar muito tempo entre a escola e casa que os meus pais não ficavam preocupados”, relembra a jovem fisioterapeuta. 
Quando veio estudar para Lisboa, sentiu-se perdida nos primeiros tempos. “Ao fim de semana víamos os colegas a ir para casa e nós ficámos por ali. Aos poucos acabámos por nos habituar e por criar uma família entre amigos”. Conhece os cantos e recantos de Lisboa. Aproveitava todos os momentos para viver a luz da Capital e sempre que podia dava uma escapadela até à beira mar, embora tenha o Rio Tejo como um dos seus encantos. Da janela do seu quarto, tinha-o como pano de fundo.
Sabe, embora sinta saudade, o que é estar longe. “A minha família sempre esteve separada geograficamente. Já foi mais doloroso, mas na fase em que estou da minha vida, sei perfeitamente que é assim que tem de ser. Sou uma mulher feliz e realizada com o que tenho”, salienta Jessica. Um dia, confessa, gostava de regressar aos Açores: “Era ali que gostava de viver a minha reforma”.
Há a família de sangue e depois aquela que o coração acaba por encontrar e preservar. Na physioclem encontrou uma segunda casa. Uma segunda família. “Antes da vida dar tantas voltas e das famílias crescerem, encontrávamo-nos com frequência. Como sempre gostei de cozinhar, ficava, normalmente, responsável pelas entradas. Foram várias as noites que passámos juntos”, lembra. O Marco Clemente é a sua referência: “só tenho pena de não trabalhar diretamente com ele, embora tenha também ao meu lado os melhores. Sou uma privilegiada por fazer o que amo, rodeada dos melhores profissionais que conheço”. 
A fisioterapia surge na vida de Jessica Margarido já quase nos últimos anos do secundário. No 11.º ano, ainda não sabia o que queria seguir, embora a área da saúde fosse a de eleição. “Assim que descobri a fisioterapia identifiquei-me de imediato. Foi a neurologia que me conquistou, talvez pelo AVC do meu avó, mas hoje a minha paixão é a Reeducação Postural Global”, esclarece.
É no mar que Jessica encontra “alimento” para carregar as baterias, estar perto dos seus e da terra que a viu crescer. Todos nós temos um espaço de procura interior, que nos dá a paz e alento para continuar a jornada da vida. Apenas temos de estar atentos e saber escutar.
Luci Pais
 
 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

“A physioclem tem o ambiente mais familiar que conheço”






Há sorrisos que ficam para a história. Há histórias que jamais esqueceremos. Há momentos que valem um milhão. A Ana tem o sorriso. E uma história que vale o milhão. Passados alguns minutos de conversa, esquecemos que esta menina mulher tem uma paralisia cerebral. As suas palavras são mais fortes do que tudo o resto. Apagamos a palavra deficiência da cabeça e mergulhamos numa vida. Nesta vida, que é um exemplo.

Torres Vedras. Tarde do dia 5 de março de 2016. Instalações da physioclem. Ana Duarte Lourenço Lucas. 21 anos. Nasceu com paralisia cerebral. Frequenta o 4º ano de Psicologia, em Lisboa.
Podíamos ficar por aqui e já saberíamos alguma coisa sobre a Ana, mas esta jovem é muito mais do que simples dados de identificação. Merece que a sua história seja um exemplo, seja partilhada. Uma verdadeira inspiração.
Desloca-se num andarilho. As dificuldades são todas as que pode imaginar. Subidas, descidas, passeios, obstáculos no caminho, falta de acessos… Mas isto nunca foi um entrave, apenas uma razão para pensar em outros planos.
Pensou ser várias coisas na vida: professora, bióloga. No entanto, acabou por desistir, tinha exemplos em casa e optou por outro caminho. A fisioterapia também era uma das suas paixões, mas como diz “por razões óbvias não fazia qualquer sentido”. 
O comportamento das pessoas foi sempre algo que a fascinou. Ficava a pensar em situações durante horas. O facto de frequentar instituições, nas quais havia pessoas em circunstâncias “idênticas ou piores”, também a ajudou a definir a sua trajetória escolar. “Acredito que nos podemos adaptar. É uma condição inerente. A psicologia pode ajudar-me e aos outros também”, testemunha Ana, que está a terminar o curso de Psicologia.
O curso tem sido um desafio, não por causa das notas, porque é uma excelente aluna. A psicologia é uma descoberta ou redescoberta. É o autoconhecimento. “Descobri que sou uma pessoa mais serena, com mais defesas para lidar com a vida. Sou muito teórica e sinto falta da prática”, confessa. 
Com a ajuda da informação adquirida, Ana tem conseguido repensar e racionalizar melhor a sua situação. “Redescubro-me todos os dias. Nunca tenho um dia igual ao outro. Este é o meu grande desafio, porque nunca sei como o meu corpo estará hoje”.
“Eu e o meu corpo somos uma grande equipa”. Foi esta a frase que percorreu quilómetros, enquanto se fazia a viagem de regresso. Uma lição, numa simples frase, para quem tenha ou não alguma deficiência. Que nos faz pensar quanto tempo lhe dedicamos, que ser seja em atividade ou pensamentos. É bom que se garanta que é o nosso “veículo”, durante esta passagem pela terra.
Até ao secundário, o seu percurso escolar foi feito na companhia de uma tarefeira. Ana acredita que talvez isso não tenha aproximado tantos os colegas, que gostam de estar entre eles e não a sentirem-se supervisionados por alguém. Neste momento, faz o seu dia-a-dia sozinha, entre casa e a escola, em Lisboa. “Não tenho muitos amigos, escolho-os sempre muito bem. São todos pessoas muito especiais. Na faculdade, aproximam-se sem se sentirem constrangidos, porque já não há uma tarefeira a acompanhar-me”.
A Ana é um jovem muito racional. Diz que sente falta do teatro, porque lhe desperta o lado emocional. “Percebi que a psicologia e o teatro têm grande complementaridade. Para sermos bons terapeutas temos que nos pôr na pele do outro. Gosto de analisar as expressões e os comportamentos, enquanto representam. O teatro faz-me vestir a pele das personagens. Procuro perceber como agiria se aquela pessoa entrasse no consultório”, explica.
Não, a Ana não é atriz. Gosta de ver e de assistir a peças. Neste momento, está a ponderar, inscrever-se, durante as férias, num minicurso de teatro. 
São os pais e o irmão, bem como os tios mais próximos, o verdadeiro porto de abrigo, embora tenha consciência que é a sua forma de estar e de pensar que a mantêm na linha condutora que escolheu. Também Ana é um dos casos em que se procurou ajuda em Cuba. A avó dizia com frequência: “ainda vais andar”. Confessa que nunca sentiu que isso fosse possível. Sabe é que pode melhorar e preservar o que tem, através do trabalho que faz.
Ana podia não ser hoje a jovem decidida que é, com sonhos e planos para concretizar. “Os meus pais sempre lutaram para que tivesse uma vida normal. Nunca passei por uma escola especial. Muitos diziam que não conseguiria ir para a universidade, a verdade é que estou a terminar o curso. Não me arrependo que os meus pais me tenham desafiado no mundo dos “normais”. Tenho contacto com o outro, mas sei que é aqui que quero estar”. As palavras de Ana continuam: “Biologicamente pertenço à aquele mundo, mas psicologicamente não sou de lá. Se tivesse feito outra opção, não seria o que sou hoje. A vida é uma constante escolha e acredito que todos temos de as fazer”.
Ao longo da sua vida, já percorreu diferentes instituições e clínicas. A physioclem entrou na sua vida há quase 5 anos. As fisioterapeutas Jessica Margarido, há mais tempo, e Cátia Almeida são “super simpáticas”. Ana refere que é o somatório de todos os espaços onde já passou. “A physioclem tem o ambiente mais familiar que conheço. Não há a ideia de industria aqui dentro. Há um acompanhamento personalizado”, testemunha.
“A fisioterapia torna-me mais funcional para o dia-a-dia. É um grande contributo para a manutenção”, esclarece Ana Lucas.
Os olhos azuis de Ana, o sorriso meigo e a sua forma adulta de estar na vida confirmam que a vida é para viver um dia de cada vez. Cruzar os braços pode parecer o caminho mais fácil, mas não é certamente o mais feliz. Ana é uma jovem feliz, porque sabe que esse sentimento procura-se no interior, na descoberta do ser…

Luci Pais