terça-feira, 27 de maio de 2014

Quanto pesa a sua cabeça para os seus ombros?




 
 
 
A correcção da postura proporciona a sensação de maior leveza e menos dor.
Sabia que quanto maior for a projeção da sua cabeça para a frente maior é a força necessária para os músculos extensores da cervical a manterem (músculos da parte de trás do pescoço)?
Estudos biomecânicos estabelecem uma relação direta entre a posição da cabeça e da força exercida por estes músculos, havendo um aumento significativo por cada centímetro de anteriorização. Apesar de esta relação não estar comprovada, sabe-se que esse aumento da força muscular associado à posição menos correta dos segmentos da coluna cervical causa um maior desgaste e assim patologia musculo-esquelética mais precoce. Quanto mais estes músculos trabalham de forma mantida, maior é a sua tensão de base, levando à contratura e assim dor. Este tipo de dor pode localizar-se na região dos ombros, na parte de trás da cervical ou mesmo irradiar para a cabeça, provocando as conhecidas Cefaleias de Tensão (dor de cabeça com origem na tensão muscular e cervical).
Fruto do stress do dia-a-dia, das tensões musculares e fasciais, das más posturas adotadas e mesmo de fatores hereditários, é normal que o corpo adote posições inadequadas longe daquelas que seriam as posições anatómicas ideais para permitir uma maior durabilidade das estruturas do corpo. A isto acresce ainda os microtraumatismos normais no decorrer das muitas tarefas laborais ou nas atividades realizadas com mais frequência, como o desporto ou as tarefas domésticas. Os excessos de carga ocasionais e mesmo os erros alimentares e de hidratação também podem contribuir para as perturbações nas estruturas músculo-esqueléticas (micro-lesões) com a instalação de pequenos processos inflamatórios. A experiência clínica diz-nos que há ainda uma relação direta entre o stress, o excesso de responsabilidade, o excesso de preocupação e a tensão nestes músculos do pescoço. É por isso que muitas pessoas sentem que carregam o mundo aos ombros!
Cada vez mais chegam aos profissionais de saúde adultos, jovens e mesmo crianças com alterações posturais acentuadas que se não forem diagnosticadas e tratadas atempadamente, podem originar uma danificação progressiva das estruturas do corpo em regiões muito específicas e assim a instauração da patologia músculo-esquelética.
Como sempre, o melhor remédio é mesmo a prevenção. Ao computador, com o tablet, a ler, a comer, sentado a ver televisão, sentado no carro, a trabalhar….. adote uma postura adequada! É igualmente essencial praticar actividade física para colocar todos os músculos e articulações em movimento e assim compensar de alguma forma os erros do dia-a-dia. Tenha uma alimentação equilibrada, com boa hidratação, evitando a barriguinha volumosa que tanto prejudica a postura. As mulheres com o peito mais volumoso devem usar soutiens que aconcheguem bem e que libertem a pressão da cervical e dorsal alta (abaixo do pescoço).
Para saber se tem a cervical mais projetada para a frente basta colocar-se encostado a uma parede, com a região posterior dos calcanhares apoiada atrás e avaliar a distância que vai desde a cabeça à parede. Depois tente encostar a cabeça e perceba o que sente. Se tiver dificuldade e/ou dor faça alguns dos exercícios sugeridos no seguinte link: www.physioclem.pt/exerciciocervical 

Marco Clemente
Fisioterapeuta/Osteopata

terça-feira, 20 de maio de 2014

Tente compreender mais sobre o seu corpo e a origem da dor...como funcionamos? Podemos prevenir?




 


Muitas vezes questionamo-nos acerca da origem das dores que sentimos! Em alguns casos conseguimos associar claramente a dor a algum traumatismo recente ou antigo, a um esforço exagerado que foi realizado, ou a alguma patologia que foi diagnosticada. Muitas outras vezes não compreendemos exatamente o porquê do surgimento de uma determinada dor/dores ou porque começou a dar "sinal" naquela altura. Porque surgiu uma dor nova? Porque é que se desenvolveu uma tendinite/artrose/hérnia que agora causa sintomas? Porque é que aquela dor que estava calma voltou a aparecer?
Será que todos os problemas são fruto daquilo que vivemos e realizamos ao longo da vida? Terão influência da herança genética transmitida pelos nossos progenitores?
A realidade é que o ser humano é um ser complexo, que se encontra sob a influência de múltiplos fatores. No nosso dia a dia somos sujeitos a inúmeras "agressões" de ordem física e de ordem emocional. As posturas menos corretas mantidas por tempo prolongado que sobrecarregam as estruturas músculo-esqueléticas e geram desalinhamentos, os gestos repetidos no trabalho ou desportos que não dão tempo de repouso suficiente às articulações/músculos, os traumatismos diretos sob o nosso corpo que deixam sequelas, uma alimentação inadequada, má hidratação, o stress diário, a dificuldade na gestão dos problemas pessoais que geram ansiedade... Estas são, entre muitas outras, algumas das razões que podem contribuir para gerar tensões musculares/desalinhamentos dos segmentos/sobrecargas que se vão somando dia após dia no nosso organismo.
 
ENTÃO PORQUE NÃO TEMOS SEMPRE DOR DIÁRIAMENTE?
O nosso organismo está desenhado de tal forma, que o nosso sistema nervoso possui espalhados pelo corpo muitos recetores que detetam qual o estado das estruturas a cada momento. Estamos programados a nível inconsciente para que o organismo tente funcionar para assegurar as grandes funções que permitem a nossa sobrevivência e perpetuação da espécie: respiração, alimentação, locomoção e reprodução. É por isso que muitas vezes, as ditas micro- agressões diárias a que somos sujeitos, não chegam a ser percecionadas por nós a nível consciente. As nossas defesas tentam resolver os problemas antes de que nos chegamos a aperceber deles, tentam encontrar uma solução para que o corpo se mantenha estável e capaz de continuar. O corpo adapta-se e tenta encontrar posições de defesa para fugir à dor, os segmentos corporais começam a fugir das posições ideais de funcionamento, certos segmentos desenvolvem rigidez....Contudo, tudo tem um custo! Em virtude destas compensações, há zonas que começam a ser sobrecarregadas, as tensões começam a acumular-se em diferentes pontos do corpo, o dispêndio de energia para manter as funções aumenta...Surgem então disfunções, desalinhamentos corporais, desgastes articulares, tendinosos, discais. Tudo isto acontece sem que muitas vezes tenhamos noção.
Apesar do corpo tentar evitar a dor, surgem os momentos em que por não conseguir resistir mais às tensões, ou porque a sobrecarga se tornou muito intensa, ou ainda porque as nossas defesas se encontram mais fragilizadas, o corpo cede! Surge então a sintomatologia que pode manifestar-se de inúmeras formas e em diferente locais. Muitas vezes é o acumular de vários fatores, que combinados fazem surgir um determinado quadro clínico ou despertar aquele problema que estava silenciado.
Por vezes a dor torna-se consciente e desaparece algum tempo depois sem que tenhamos feito nada para a tratar. Também aqui muitas vezes o nosso corpo consegue encontrar estratégias para camuflar a dor, mas sem que a causa do problema seja tratado na verdade.
 
A HEREDITARIEDADE IMPORTA?
Não podemos deixar de considerar a componente hereditária que também tem o seu papel. Determinadas fragilidades tecidulares ou características físicas, são transmitidas pelos nossos antepassados, podendo contribuir para facilitar ou dificultar o surgimento de alguns problemas. Contudo, acima de tudo, cada um de nós é um ser único, possui a sua individualidade e reage a cada situação e cenário de forma própria.
 
HÁ FORMA DE INTERVIR E PREVENIR A DOR?
Como foi dito, com o decorrer do tempo as compesanções e a acumulação de tensão, levam à modificação das forças exercidas nas articulações / músculos / tendões. Existem então regiões do corpo que tendem a perder mobilidade (hipomobilidades) e ser mais rígidas, existindo outros segmentos que geram hipermobilidades compensatórias e são sobrecarregadas. Estas perturbações levam a uma danificação progressiva das estruturas do corpo em regiões especificas onde se instala a patologia músculo-esquelética.
Ao avaliar pormenorizadamente a postura e movimento corporais, é possível compreender que zonas estão mais desalinhadas, limitadas, que zonas sofrem mais tensões e onde estão a surgir as compensações. Analisar o corpo permite então não só perceber o que pode estar na origem de uma queixa actual, mas também os locais mais prováveis de virem a desenvolver patologia/dor sendo possível actuar de forma preventiva!
O fisioterapeuta pode intervir realizando esta avaliação e em conjunto com o paciente quebrar o ciclo vicioso .
O tratamento deve ser entendido numa vertente não apenas para aliviar a dor, mas procurando perceber a sua origem, a sua causa mais profunda e actuar na raiz do problema evitando as alterações do alinhamento, restaurando a mobilidade normal, libertando as tensões e promovendo uma postura mais correta.
Tratar deve ser muito mais do que aliviar uma dor! Deve ser também decifrar o mais possível a sua causa, compreender o corpo no seu percurso ao longo do tempo, restaurar o seu bem estar desde a profundidade, para que se sinta melhor hoje e no futuro.
 Pense nisto!
 A equipa Physioclem.
 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Síndrome do canal Guyon



 

O canal de Guyon é um túnel na palma da mão, ao nível do punho, através do qual passa o nervo cubital. Esse túnel é formado basicamente por dois pequenos ossos e pelo ligamento que os conecta. Após atravessar o canal, o nervo cubital ramifica-se para fornecer sensibilidade ao dedo mínimo e a metade do dedo anular e inervação motora para os pequenos músculos da mão.
Os sintomas começam normalmente como uma sensação de alfinetadas nos dedos mínimo e anular e posteriormente essa sensação progride para uma dor tipo queimadura no punho e na mão, que é seguida por uma diminuição da sensibilidade e eventualmente dificuldade em usar a mão, decorrente da fraqueza dos pequenos músculos intrínsecos. Nestes casos é fundamental fazer um diagnóstico diferencial, percebendo se a origem do problema não provem da coluna cervical.
A maior parte destas situações têm resolução com fisioterapia. Técnicas de mobilização neural, alongamento miofascial e descompressão ligamentar promovem o rápido alivio dos sintomas.
Cuide da sua mão!
Equipa Physioclem

Tendinites do punho/mão

 
 



As tendinites definem-se como uma inflamação de um tendão, podendo afetar vários tendões no nosso corpo. O tendão é uma estrutura fibrosa que funciona como uma corda que une os músculos aos ossos, transmitindo a força que permite a realização dos movimentos. As tendinites são causadas na maioria dos casos por sobrecarga, gestos repetidos, desalinhamentos posturais e alterações biomecânicas que levam à inflamação tendinosa, causando dor e limitação do movimento. Quando esta inflamação se mantém por tempo prolongado, começam a ocorrer alterações na estrutura do tendão que levam ao seu enfraquecimento e degeneração, devendo designar-se por tendinose.
Na mão uma das tendinites mais comuns é a tenossinovite de Quervain, que corresponde à inflamação da bainha do longo abdutor e curto extensor do polegar, originando dor quando se estende o polegar e quando se afasta dos outros dedos.
O tratamento implica o controlo da dor e redução dos factores que contribuem para o desenvolvimento da tendinite.
Conte com o nosso apoio.
Equipa Physioclem
 

Síndrome do Túnel Cárpico



 

 
É uma condição em que um dos nervos do membro superior, o nervo mediano, é comprimido a nível do punho, numa região denominada túnel do carpo (canal formado pelos ossos do punho, conforme pode ver na imagem). Esta é uma condição muito frequente surgindo com maior incidência em mulheres entre os 30 e os 60 anos. A sintomatologia mais comum é a dormência e os formigueiros dolorosos nas mãos, principalmente nos dedos indicador, anular e médio, predominantemente durante a noite. Com a progressão deste quadro, a compressão pode chegar a provocar falta de força na mão e dificuldade em realizar movimentos finos que envolvem destreza manual. Eventualmente pode ocorrer dor em todo membro superior (mão, antebraço e braço). Nestes casos é fundamental fazer um diagnóstico diferencial, percebendo se a origem do problema provem da coluna cervical, de modo a realizar o tratamento correto.
Saiba que pode prevenir/aliviar esta situação com alongamentos do punho e mão!
Faça os seguintes exercícios:
Se o problema já for mais avançado contacte o seu fisioterapeuta para saber se ainda pode ser tratado conservadoramente (sem recurso a cirurgia).
Equipa Physioclem
 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Lesões musculo-esqueléticas ligadas ao trabalho de DENTISTA







Na classe profissional dos Médicos Dentistas as lesões músculo-esqueléticas mais frequentes são as dos membros superiores e da coluna vertebral. Entre 60% a 70% desta classe apresenta queixas dolorosas principalmente a nível dos ombros, coluna cervical, coluna lombar e punhos. O facto de os médicos dentistas trabalharem um elevado número de horas na mesma posição aumenta a incidência de alterações posturais, como por exemplo o aumento da cifose torácica, inclinação da cabeça à direita e elevação do ombro contra-lateral (se for destro).

Existem várias causas para a incidência das queixas dolorosas entre elas:
- Ritmo acelerado de trabalho;
- Horas extraordinárias;
- Ausência de pausas;
- Stress no ambiente de trabalho;
- Equipamentos inadequados;
- Iluminação Inadequada;
- Mobiliário fora das especifícações ergonómicas;
- Repetitividade:
- Carga excessiva

Nos estudos efectuados é possível verificar que o uso de encosto apresenta uma relação estatisticamente significativa com a diminuição das queixas dolorosas. Assim como pausas durante o trabalho em conjunto com exercícios de alongamento e respiração.
Uma avaliação detalhada do espaço envolvente assim como da postura torna-se essencial para para que haja uma redução dos factores de risco associados a estas lesões. 
Se é o seu caso, sugerimos que adote a melhor postura possível, faça alguns alongamentos entre consultas (gestos simples na cervical que podem ter uma boa eficácia) e nas horas livres pratique exercício físico que implique movimento dos membros superiores e cervical, como por exemplo a natação. Se tem duvidas em relação à sua postura procure um especialista nesta área para o(a) avaliar e aconselhar. Se já tem dor não deixe de fazer o tratamento mais adequado, com correcção postural e terapia manual. Lembre-se que os analgésicos são fantásticos no alivio dos sintomas mas não resolvem a causa biomecânica! É preciso um trabalho mais global para que o resultado seja eficaz. 
Preserve o seu corpo dando-lhe atenção. Cuide também de si!
Bibliografia aconselhada:
Alexopoulos, E. e Stathi, I. (2004) - Prevalence of musculoskeletal disorders in dentists. BMC Musculoskelet disord. (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC441388/)
Macedo, R. (2008) - Estudo da prevalência de lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho em médicos dentistas e proposta de um programa de ginástica laboral. Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. (
http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/13646/2/2382.pdf)