terça-feira, 3 de setembro de 2013

Mochilas Escolares - Inimigas da boa postura?

 
 
 

Um aspeto que merece grande atenção no âmbito da saúde postural nas escolas são as mochilas. Estas constituem uma forma de transportar peso, sendo, portanto, frequentemente usadas por crianças em idade escolar para carregar o seu material. Quando cargas excessivas são transportadas por longos períodos de tempo a coluna manifestará diversos mecanismos de compensação, conduzindo à fadiga muscular e desgaste das articulações da coluna e caixa torácica, o que resultará no aparecimento de dor. A ocorrência de dor ao nível da coluna e ombros em jovens adolescentes varia entre os 8% e 74% na literatura, estando essa dor associada ao transporte de mochilas pesadas.
Segundo um estudo realizado por Pascoe et al (1997), os diferentes métodos de transporte da mochila (transportá-la num ou em ambos os ombros), com 17% do peso corporal, em crianças entre os 11 e os 13 anos, influenciaram consequências como a projeção da cabeça para a frente; elevação e rotação interna dos ombros e inclinação do tronco para a frente. Estas alterações estruturais resultaram na diminuição do equilíbrio, facilitando a ocorrência de quedas; o desvio lateral da coluna e a elevação do ombro quando a mochila era transportada unilateralmente.
Com o objetivo de prevenir alterações posturais, provocadas pelo uso incorreto de mochilas, e de acordo com a American Phisical Therapy Association (APTA), existem formas mais corretas de transportar as mochilas, tais como:
   •  A mochila deve ser pesada regularmente;
   •  Utilizar sempre as duas alças da mochila, em ambos os ombros, para o peso ficar melhor distribuído e não se verificarem tantas assimetrias, deve ter-se em atenção que as alças não interfiram com a circulação sanguínea e sistema nervoso; elas devem ser almofadadas e ajustáveis com uma largura de aproximadamente 4 centímetros. Deve existir um cinto para apertar as alças acima do peito e estas devem estar o mais próximas possível uma da outra;
   •   A mochila deve estar o mais próxima possível do corpo e bem ajustada a este. A parte posterior da mochila deve possuir um acolchoamento suficientemente espesso e rígido mas que, no entanto, se adapte bem ao corpo da criança;
   •  A parte superior da mochila deverá estar ao nível da sétima vértebra cervical e a inferior ao nível da região lombar, pelo que o tamanho da mochila tem que estar adaptado a cada criança;
   •  Os objetos mais pesados devem ser colocados mais perto da coluna, para que o peso esteja melhor distribuído e a mochila deve ter múltiplos compartimentos para repartir os vários objetos;
   •  Na mochila deve existir um cinto ao nível da cintura de forma a repartir o peso entre os ombros e a zona lombar, assim como evitar que a mochila oscile;
   •  A criança deve pousar sempre que possível a mochila.
Não existe um consenso quanto ao peso recomendado a transportar nas mochilas, pelo que são sugeridos, por vários autores, diferentes valores.

Segundo Brackley e Stevenson, Cottalorda et al (2004), citado por Fernandes (2005), o limite máximo de peso recomendado a transportar nas mochilas é de 10% a 15% do peso corporal da criança.

Segundo Fernandes (2005), as mochilas devem ser transportadas simetricamente nos dois ombros.

De acordo com Fernandes (2005), existem orientações específicas, quer para pais/tutores como para professores e direção dos estabelecimentos de ensino, para o uso das mochilas:

   Por parte dos professores:

  •  Sensibilizar os alunos acerca do excesso de peso transportado nas mochilas;
  •  Incentivo ao transporte apenas do material necessário;
  •  Utilização das folhas avulso para os trabalhos de casa de modo a que os cadernos fiquem mantidos na escola;
  •  Incentivar a manutenção da boa postura.

   Por parte da direção:

  •  Manter sempre os professores atualizados e atentos aos aspetos relacionados com as questões posturais das crianças;
  •  Organizar a escola de modo a que o material do aluno permaneça na mesma sala, fazendo com que as crianças o retirem apenas no final do dia.

A intervenção em classes com enfoque nesta temática é vantajosa, uma vez que as crianças têm oportunidade de realizar tarefas de forma lúdica e em grupo, o que se revela mais motivador e estimulante para elas. Este tipo de classes é importante para um bom conhecimento corporal e noção de corpo, equilíbrio e controlo postural.
É necessário aproveitar ao máximo as possibilidades do desenvolvimento psicomotor da criança, dotando-a de hábitos e atitudes que poderão facilitar uma melhor formação e socialização futuras.

Sara Lourenço,
Fisioterapeuta Physioclem

Prevenção de quedas




Causas para uma queda

 Existem vários fatores de risco que predispõem uma pessoa a sofrer uma queda. Alguns desses fatores podem ser internos, ou seja relacionados com a idade e a presença de algumas doenças e, consequente, medicação.
 Tendo em conta, as alterações fisiológicas que ocorrem a nível ósseo, muscular, articular, cardiorrespiratório e neurológico com o aumento da idade (referidas nos nossos últimos posts), recordamos que a pessoa idosa apresenta tendência para uma postura mais cifótica (corcunda), perda de massa e força muscular principalmente ao nível das pernas, cansaço fácil e diminuição do equilíbrio e coordenação, muitas das vezes associado a défices visuais e auditivos.
Todos estes fatores internos, originam uma alteração na marcha, que se torna mais lenta, com passos mais pequenos e juntos ao chão, fazendo com que a pessoa facilmente possa tropeçar e cair. De igual modo, os seus reflexos para evitar uma queda também são mais lentos e menos eficientes.
 Por outro lado, também existem fatores de risco externos que estão relacionados com questões sociais e ambientais como buracos na rua, piso escorregadio, aspetos habitacionais (tapetes, móveis, escadas, animais domésticos,…) e pessoais (vestuário, calçado,…).  

Consequências de uma queda 

 As principais consequências de uma queda nas pessoas idosas são escoriações, fraturas com consequente hospitalização, e morte.
 Na maioria dos casos, a ocorrência de uma queda, pelos danos físicos que causa (principalmente a imobilidade temporária), leva a que atividades que antes a pessoa realizava sem ajuda e sem dificuldades, como vestir-se, higiene pessoal, ir às compras, entre outras, podem ficar comprometidas temporária ou permanentemente.
Estas situações, infelizmente, são muito comuns em situações de queda que causam fratura de algum osso das pernas, levando a imobilização com consequente perda da marcha.
 Por outro lado, o impacto da queda, normalmente, não se reflete só na pessoa que a sofreu mas também nos seus familiares, que precisam ajudar no tratamento e recuperação do idoso.
 Para além de danos físicos, uma queda pode causar sentimentos de medo, fragilidade e insegurança. Portanto, todos esses sentimentos podem trazer importantes modificações emocionais, psicológicas e sociais, fazendo com que muitos idosos deixem de realizar atividades que costumavam fazer e percam autonomia gradualmente.

Dicas para prevenção de quedas

As quedas não acontecem apenas devido a um único fator, mas sim à combinação de vários fatores de risco. Se conseguirmos eliminar alguns fatores a probabilidade de sofrer uma queda também diminui.

Aqui ficam algumas dicas de prevenção:

 - manter-se o mais ativo possível, realizando atividade física para ganhos de força, flexibilidade e equilíbrio;
 - consultar um oftalmologista uma vez por ano devido às alterações visuais;
 - utilizar sempre tapete antiderrapante na banheira ou poliban;
 - na dificuldade de se baixar durante o banho utilizar um banco resistente e com bases antiderrapantes;
 - evitar camas e cadeiras muito baixas, pois dificultam o sentar/levantar;
 - nunca andar no escuro, se necessário utilizar luzes de presença durante a noite;
 - manter espaço aberto entre móveis para perfeita circulação;
 - não utilizar tapetes pequenos na casa e não ter objetos espalhados pelo chão;
 - manter os fios dos aparelhos próximos das tomadas;
 - escadas bem iluminadas, de preferência com corrimões dos 2 lados, e fita antiderrapante nos degraus;
 - na cozinha, colocar os utensílios que usa mais vezes em uma altura de melhor alcance;
 - sentar-se para vestir calças, meias e sapatos;
 - não usar roupas compridas que arrastem no chão;
 - preferir chinelos todos fechados e sapatos com sola antiderrapante;
 - não carregar objetos grandes que dificultem a visão do caminho a fazer;
 - se tiver animais de estimação, procure deixá-lo no quintal ou preso quando estiver a fazer as suas tarefas (cozinhar, estender roupa,…).  

A equipa Physioclem!