terça-feira, 16 de abril de 2013

Já reparou como o seu filho se senta na cadeirinha do automóvel?



 




As crianças passam uma grande parte do dia sentadas, seja às refeições, na escola, em algumas atividades extra curriculares, a ver televisão, no computador, a fazer os trabalhos escolares, no carro, entre outras. A verdade é que a postura sentada, por si só, aumenta a possibilidade de sobrecarga das estruturas como: tendões, ligamentos, músculos, discos intervertebrais e articulações. Se a isso acrescentarmos hábitos posturais inadequados, mantidos no tempo e pouca atividade física, podem gerar-se alterações físicas importantes com prejuízo para a saúde. Muitos pais, mais atentos, dizem: “Coloca-te direito!”, mas como? Precisamos ser mais concretos.

Uma postura correta mantém o alinhamento das articulações e a flexibilidade das estruturas, características necessárias à estabilidade corporal e para que os movimentos sejam harmoniosos e realizados com um menor gasto de energia possível, só desta forma pode manter-se o bem-estar e o equilíbrio nas atividades diárias.

 A cadeirinha do automóvel constitui um local onde a maioria das crianças está todos dias, em muitos casos mal sentadas e durante muito tempo, por isso há que ter em atenção vários fatores da postura sentada:
1.      A criança deve ter as nádegas o mais atrás possível na cadeira;
 
2.      O cumprimento do ponto 1 facilita o apoio da coluna lombar, em ligeira lordose (curva concava para a frente), na cadeira ou no banco do carro, o que facilita o relaxamento da musculatura. Na maioria das vezes as crianças, incorretamente, escorregam pelo banco ou sentam-se muito à frente, desta forma não há apoio da coluna lombar, há aumento da cifose da coluna dorsal e o pescoço e a cabeça ficam demasiado para a frente;

3.      O resto da coluna deve estar chegada atrás, de forma a manter o apoio na cadeira ou no banco do carro;

4.      A face deve estar alinhada para a frente;

5.      Os ombros devem ser mantidos desenrolados e apoiados atrás, não devem estar enrolados e deslocados à frente, como acontece quando as crianças mantêm uma postura relaxada; 

6.      Deve evitar que as pernas estejam dobradas ou traçadas. As pernas devem estar paralelas de forma a facilitar a circulação e manter o alinhamento simétrico do corpo;

7.      A postura correta permite que o cinto fique bem alinhado e que não faça demasiada pressão sobre a região da garganta;

8.      Se estamos a falar de viagens longas, deve parar pelo menos de hora em hora, para que a criança mude de posição e alongue as estruturas.

Até as crianças terem 150 cm, 12 anos ou 36 Kg, a cadeira de apoio ou banco elevatório são obrigatórios, porque só desta forma o cinto ficará bem colocado na bacia. A cadeirinha do automóvel tem como objetivo proteger o seu filho em caso de acidente, mas também assume um papel preponderante na manutenção de uma postura correta e desta forma protegê-lo de problemas de saúde que não advém de um trauma, por isso use sempre a cadeira e tenha atenção ao seu conforto e ao alinhamento que proporciona.

A partir dos 15 até aos 36 Kg, desde que o cinto de segurança não incomode no pescoço e o automóvel tenha apoio para a cabeça, as crianças podem usar só o banco elevatório. Contudo se o carro não tiver encosto de cabeça nos bancos de trás é preferível usar cadeiras com apoio de costas, que por um lado proporcionam uma melhor proteção da cabeça e pescoço, por exemplo em caso de acidente com choque por trás, mas também porque permitem um melhor apoio e alinhamento da coluna cervical, tronco e ombros. Se a cadeira for suficientemente alta proporciona um apoio lateral só possível com a cadeira, o que protege a criança em caso de acidentes laterais e evita que a criança adote posturas com inclinação da cabeça e tronco que quando mantidas e repetidas no tempo podem provocar dor ou desconforto.   

Para mais informações acerca das cadeiras auto consulte:
 A equipa Physioclem. 

terça-feira, 9 de abril de 2013




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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Posição de sentado - Cuidados a adotar




 
 
 
Existem fatores importantes que contribuem para a instalação de alterações posturais. Em muitos casos estas alterações estão relacionadas com as posturas inadequadas que os jovens adotam tanto na sala de aula como em casa (para ver televisão, realizar as refeições e utilizar o computador, por exemplo).
Estudos de Kristgandótirr, (1996); WedderKopp, (2001) e Oliveira, (2002), realizados com alunos do ensino básico, demonstraram que as síndromes dolorosas na coluna vertebral ocorrem cada vez mais precocemente. Estes desconfortos podem estar associados às posturas assumidas pelos alunos em contexto de sala de aula, visto que, considerando os seus aspetos biomecânicos, permanecem por longos períodos de tempo nas suas carteiras para realizarem as atividades escolares, durante uma idade em que as suas estruturas corporais estão em pleno desenvolvimento. (Ritter, 2002 e Gallahue, 2001).
Para manter a posição de sentado ou para realizar uma atividade de escrita, ocorre comumente uma inclinação anterior do tronco. Na tentativa de equilibrar o tronco, os músculos paravertebrais contraem-se estaticamente, o que resulta num aumento da compressão dos discos lombares. (Oliveira, 2006 e Domljan, 2008). Nesta posição ocorre cerca de 50% de aumento de pressão dos discos intervertebrais da coluna lombar, contribuindo a longo prazo, para a degeneração dos mesmos. (Couto, 1995 e Kapandji, 2001). As estruturas posteriores sofrem alongamento enquanto as anteriores sofrem compressão e em função deste comportamento biomecânico, ocorrem distensões ligamentares e desequilíbrios musculares. O retorno sanguíneo fica também comprometido nesta postura quando mantida por longos períodos, devido à compressão na região poplítea, muitas vezes causadas por mobiliários inadequados à antropometria dos alunos. (Oliveira, 2002 e Reis e Moro, 2002). Ainda a respeito deste aspeto têm sido desenvolvidos inúmeros estudos que concluem que o mesmo modelo de mobiliário escolar não atende às especificações ergonómicas nem às características antropométricas dos alunos. Este fator facilita a adoção de posturas inadequadas e ergonómicamente incorretas, além de, a longo prazo resultar no aparecimento de dor. Desta forma torna-se imperativo que as Instituições dediquem uma atenção especial aos mobiliários que utilizam nas salas de aula, bem como promovam ações de orientações posturais para que a predisposição às lesões das estruturas osteomioarticulares possa ser minimizada.
 
 
Neste âmbito, as orientações a veicular deverão considerar:

   A escolha de uma cadeira que tenha de altura, a mesma distância medida entre o joelho do aluno e o chão ou uma cadeira que permita este ajuste de altura;

   Colocar os pés no chão de forma que a tíbia (perna) e o fémur (coxa) formem um ângulo superior a 90 graus e os joelhos fiquem a dois palmos de distância um do outro;
   Os alunos devem permanecer sentados sobre os isquións, com uma leve anteroversão do quadril (ou seja, o quadril para frente);
   Manter as costas apoiadas na cadeira (que deve ter apoio para a lombar);
   Unir as omoplatas de modo a apoiá-las na grelha costal;
   Manter os membros superiores ao longo do corpo com ligeira rotação externa;
   Alongar a coluna cervical (pescoço);
   Manter a horizontalidade do olhar;
    Não permanecer mais do que 1h30-2h na posição de sentado sem fazer um intervalo, mudando de posição e alongando os músculos.
 
Propõem-se ainda algumas soluções no que diz respeito à ergonomia da sala de aula, nomeadamente:
- Para crianças pequenas, que sentadas não chegam com os pés ao chão, devem colocar-se listas telefónicas, um tijolo, um calço, ou algo similar debaixo dos pés, para que a criança fique com a anca e joelhos a 90º, e pés bem apoiados. Nestes casos, se a secretária for muito alta em relação ao tronco da criança, esta deve sentar-se sobre almofadas ou listas telefónicas.
- Para crianças grandes, que sentadas ficam com os membros inferiores a bater na mesa, verificando-se esta demasiado baixa, propõe-se a colocação de calços, livros, ou estruturas semelhantes, por forma a aumentar a altura das secretárias. 
Na postura correta existe uma distribuição uniforme das pressões sobre os discos intervertebrais. Os ligamentos e os músculos trabalham harmoniosamente e assim é prevenido um desgaste prematuro de todas as estruturas envolvidas no suporte da própria postura.
 

A prevenção é o caminho para um crescimento saudável e feliz!

 

Sara Lourenço
Fisioterapeuta Physioclem