terça-feira, 17 de maio de 2011

Tratamento de hérnia discal sem cirurgia







O disco intervertebral é uma estrutura cartilaginosa, que tem como função amortecer o impacto entre as vértebras e aumentar a mobilidade da coluna. Localiza-se entre cada vértebra da coluna cervical, torácica e lombar. No interior da coluna vertebral, existe um canal pelo qual passa a medula espinal. Quando este disco rompe as suas camadas protetoras e sai da sua posição normal, pode comprimir alguma estrutura nervosa. Trata-se da lesão denominada por hérnia discal.
Apesar dos discos intervertebrais serem desgastados pelo tempo e uso repetitivo, também são fortemente perturbados pelas posturas que são adotadas no nosso dia aa dia, facilitando a formação de hérnias discais. Este problema é mais frequente nas regiões lombar e cervical, por serem áreas mais expostas ao movimento,  por terem uma proteção menor, por suportarem mais carga (caso da lombar) e por estarem mais sujeitas às posições incorretas.
Os sintomas da hérnia discal dependem da sua localização. As hérnias lombares, mais frequentes, podem produzir dor só local (lombalgia) ou dor irradiada. Esta dor irradiada depende do nervo afetado, sendo muito comum a compressão de uma das raízes que formam o nervo ciático, produzindo a dor ciática (uma dor que se estende da nádega ao pé). Nas hérnias cervicais, a dor também pode ser só no pescoço ou irradiada pelo membro, sendo denominada por cervicobraquialgia (uma dor que se estende do ombro à mão). A hérnia discal cervical pode causar também dor de cabeça, tonturas ou zumbidos. Em ambas, pode haver parestesias (dormência), perda de força muscular e sensibilidade, e em casos mais graves até o descontrole das fezes, urina e perda da função sexual, que normalmente constitui um sinal de compressão medular.

Todas as normas de orientação clínicas para o tratamento destas condições,  defendem que a cirurgia a uma hérnia discal só deve ser realizada em situações de clara compressão nervosa com diminuição da sensibilidade e força e/ou quando os tratamentos conservadores não resultaram. As mesmas orientações apontam para o recurso a técnicas de terapia manual e exercício como primeira opção de tratamento, após o uso de medicação na fase mais aguda. De entre as técnicas de terapia manual, o tratamento osteopático destaca-se pela sua enorme eficácia. Num estudo sobre a eficácia desta intervenção em 720 doentes, o autor François Ricard verificou que utentes com hérnia discal apresentavam bons resultados após tratamento de osteopatia em 90% dos casos, sendo desnecessária a realização de cirurgia. Este estudo refere que para o tratamento deste tipo de situações são necessárias  entre 2 a 7 sessões.  
Os princípios subjacentes ao tratamento osteopático consistem na promoção de um correto alinhamento dos corpos vertebrais e na normalização da sua mobilidade (geralmente designado por desbloqueio). Desta forma, deixa de haver a necessidade de zonas de menor mobilidade serem compensadas por outras de maior mobilidade (criando lesões a longo prazo) e o disco deixa de sofrer forças em sentido incorreto. A vascularização (irrigação sanguínea) e a enervação das zonas afetadas podem, assim, voltar ao normal. Outro objetivo consiste em  relaxar os músculos espasmados e libertar as tensões dos vários tecidos que contribuem para a manutenção da má posição de uma dada zona ou mesmo de toda a coluna. Depois deste tratamento, é fundamental fazer técnicas de reeducação postural e o doente aprender qual a melhor forma de evitar  novos episódios (ensino de exercícios para realizar em casa, das posturas a adotar nas várias atividades e de como lidar com a dor em caso de necessidade).
Dada a eficácia desta intervenção, a sua relação custo/benefício é enorme, razão pela qual se aconselha vivamente este tipo de intervenção. A opção de aguentar as dores e os outros sintomas sem fazer nada ou tomando medicação para o alívio da dor,  apenas contribuirá para a manutenção do problema mecânico já existente, o que mais tarde se poderá refletir num possível agravamento do problema.
Quanto mais precoce for a intervenção e mais cedo o doente tiver a noção sobre o que fazer e como fazer, melhor será a sua eficácia.
Fisioterapeuta/ Osteopata Luís  Nascimento e Marco Clemente